Os seres vivos são formados por compostos inorgânicos (água e sais minerais) e orgânicos (carboidratos, lipídios, proteínas, ácidos nucleicos e vitaminas). Os elementos mais abundantes são C, H, O e N, seguidos de P e S.
Aprofundar ▾
A Bioquímica é a ciência que estuda a química da vida. Ela parte do princípio de que todos os seres vivos são formados pelos mesmos tipos de átomos encontrados na matéria inanimada, mas os organizam em moléculas específicas capazes de executar funções vitais. A grande diferença está na complexidade e na capacidade de automontagem dessas moléculas.
Água
Substância mais abundante nos seres vivos, de 60% a 95% da massa. É polar, faz ligações de hidrogênio e tem alto calor específico. O teor varia com a espécie, a idade (maior em jovens) e o tecido — muito alto no sangue, baixo no osso e no esmalte.
Aprofundar ▾
A água é a molécula que viabiliza a vida porque suas propriedades emergem de sua estrutura: dois átomos de hidrogênio ligados covalentemente ao oxigênio formam uma molécula angular, com densidade de carga negativa junto ao oxigênio e positiva junto aos hidrogênios, o que a torna um dipolo. Essa polaridade permite que cada molécula estabeleça até quatro ligações de hidrogênio com vizinhas, rede coesa que explica sua alta tensão superficial, sua capacidade de agir como solvente universal de substâncias iônicas e polares (como sais, açúcares e proteínas) e seu papel como meio de transporte no sangue e na seiva. Outra consequência é a termorregulação: o alto calor específico faz a água absorver muito calor com pequena variação de temperatura, protegendo o organismo de choques térmicos e mantendo a temperatura corpórea estável, o que também está ligado ao alto calor de vaporização, usado na transpiração e na sudorese como mecanismo de resfriamento.
Na bioquímica celular, a água participa diretamente de reações de hidrólise, quebrando macromoléculas em monômeros, e é liberada em reações de condensação, o que a coloca como reagente e produto em vias metabólicas centrais, como a digestão enzimática e a formação de ligações peptídicas nos ribossomos.
Papéis biológicos da água
Solvente universal, permitindo o transporte de substâncias; reagente na hidrólise e na fotossíntese; termorregulação pelo suor, graças ao alto calor de vaporização; lubrificação de articulações; e amortecimento, como no líquido amniótico.
Aprofundar ▾
A água é a molécula mais abundante nos seres vivos, representando cerca de 70% a 90% da massa da maioria das células, e deve esse protagonismo à sua estrutura química peculiar: dois átomos de hidrogênio ligados covalentemente a um átomo de oxigênio, formando uma molécula polar, com densidade de carga negativa sobre o oxigênio e positiva sobre os hidrogênios. Essa polaridade permite a formação de pontes de hidrogênio, interações fracas individualmente, mas muito numerosas e cooperativas, responsáveis por propriedades como alta coesão, alta adesão, elevada tensão superficial e alto calor específico. A coesão entre moléculas de água é o que sustenta a coluna líquida no interior dos vasos condutores das plantas, permitindo que a transpiração nas folhas "puxe" água desde as raízes — fenômeno conhecido como teoria da tensão-coesão-adesão, exemplificado pela subida da seiva bruta em uma árvore de grande porte.
Já a adesão explica a capilaridade, que também contribui para esse transporte. O alto calor específico faz da água um amortecimento térmico eficiente, protegendo o organismo contra variações bruscas de temperatura, o que, somado ao alto calor de vaporização, garante estabilidade térmica a ambientes aquáticos e a organismos terrestres.
Sais minerais
Ocorrem dissolvidos, como íons com função reguladora, ou imobilizados, como no esqueleto. Exemplos: cálcio (ossos, contração muscular, coagulação), ferro (hemoglobina), iodo (hormônios tireoidianos), sódio e potássio (impulso nervoso) e fósforo (ATP, ácidos nucleicos).
Aprofundar ▾
Os sais minerais são compostos inorgânicos essenciais que, embora representem uma fração pequena da massa corporal, participam de praticamente todos os processos metabólicos, atuando frequentemente como cofatores enzimáticos ou mantendo gradientes eletroquímicos fundamentais à vida. A distinção entre a forma dissolvida e a imobilizada vai além da simples localização: quando dissolvidos em fluidos como o plasma sanguíneo ou o citoplasma, eles se apresentam como eletrólitos, íons carregados que sustentam a pressão osmótica, o equilíbrio ácido-base (junto aos sistemas-tampão) e a transmissão do impulso nervoso por meio da bomba de sódio e potássio.
Já os imobilizados integram estruturas sólidas, como a hidroxiapatita (fosfato de cálcio) da matriz óssea e dentária, conferindo rigidez e servindo de reservatório para o mineral.
Doenças associadas ao desequilíbrio na ingestão de minerais
Anemia ferropriva, por falta de ferro; bócio e hipotireoidismo, por falta de iodo; osteoporose, ligada ao cálcio; cárie, ao flúor; e hipertensão, associada ao excesso de sódio. O excesso também adoece — não só a carência.
Aprofundar ▾
Os sais minerais, embora representem uma fração pequena da massa corporal, atuam como cofatores enzimáticos, componentes estruturais de ossos e dentes e reguladores de processos osmóticos e elétricos; por isso, tanto a carência quanto o excesso de um mineral geram quadros clínicos específicos, e a análise desses desequilíbrios revela a lógica por trás de cada um.
No extremo oposto da carência, a hemocromatose, doença genética que aumenta a absorção intestinal de ferro, deposita esse metal no fígado, no pâncreas e no coração, causando cirrose, diabetes e insuficiência cardíaca, o que mostra que o excesso de um nutriente essencial também adoece. Esse poder de síntese faz do tema um favorito em provas: a Fuvest costuma relacioná-lo a gráficos de absorção ou a textos sobre saúde pública, a Unicamp cobra a interpretação de casos clínicos e a relação entre dieta e doença, e o Enem, em questões interdisciplinares, pede que o candidato reconheça a carência de ferro na anemia, de iodo no bócio e o excesso de sódio como fator de risco cardiovascular, sempre exigindo a associação direta entre o mineral desequilibrado e sua consequência fisiológica mais marcante.
Carboidratos
Também ditos glicídios ou açúcares, de fórmula geral $\mathrm{C_n(H_2O)_n}$. Função principalmente energética — a glicose é o combustível celular — e, em alguns casos, estrutural, como a celulose vegetal e a quitina de artrópodes e fungos.
Aprofundar ▾
Os carboidratos são classificados pelo número de unidades de açúcar que os compõem: monossacarídeos (glicose, frutose, galactose, ribose), dissacarídeos (sacarose — glicose + frutose; lactose — glicose + galactose; maltose — duas glicoses) e polissacarídeos (amido, glicogênio, celulose, quitina). A ligação entre monossacarídeos é a glicosídica, formada por síntese por desidratação, com liberação de água; sua quebra é a hidrólise. Nos polissacarídeos, essa ligação pode ocorrer em carbonos diferentes, e isso muda tudo: no amido e no glicogênio predominam ligações α, facilmente rompidas por amilases; na celulose, as ligações β criam cadeias lineares unidas por pontes de hidrogênio, formando microfibrilas resistentes que nenhum vertebrado digere sozinho — os cupins e ruminantes dependem de microrganismos simbiontes produtores de celulase.
Isso explica por que a celulose é estrutural para a planta, enquanto o amido é reserva. Exemplo concreto e muito explorado: o glicogênio hepático e muscular é mobilizado entre refeições pela ação do glucagon (jejum) e da insulina (após comer), mantendo a glicemia estável — um eixo clássico de prova. O amido, por sua vez, é digerido pela amilase salivar (pH ótimo neutro), que se inativa no estômago ácido, e pela amilase pancreática no intestino.
Dominar hidrólise, ligação glicosídica e a relação entre estrutura e função é o que garante, na maioria das questões, o acerto do item sobre glicídios proposto pela banca.
Monossacarídeos
Os mais simples, não hidrolisáveis. Hexoses ($\mathrm{C_6H_{12}O_6}$): glicose, frutose e galactose, isômeras entre si. Pentoses: ribose, no RNA, e desoxirribose, no DNA. A glicose é a molécula central do metabolismo energético.
Aprofundar ▾
Os monossacarídeos são os blocos construtores de todos os carboidratos e se definem por não poderem ser quebrados por hidrólise em unidades menores, o que os torna a menor unidade estrutural dessa classe de biomoléculas; quimicamente são poli-hidroxialdeídos ou poli-hidroxicetonas, e é justamente essa distinção que separa as aldoses (com grupo aldeído na extremidade, como a glicose e a ribose) das cetoses (com grupo cetona, geralmente na posição 2, como a frutose), diferença que explica por que glicose e frutose, apesar de compartilharem a mesma fórmula $\mathrm{C_6H_{12}O_6}$, têm propriedades e comportamentos metabólicos distintos.
Vale notar que a fórmula empírica clássica $\mathrm{C_n(H_2O)_n}$ é uma aproximação útil para muitos monossacarídeos, mas não vale para todos os carboidratos: a desoxirribose, por exemplo, é $\mathrm{C_5H_{10}O_4}$ porque perdeu um oxigênio, e aminoaçúcares como a glucosamina têm nitrogênio em sua composição, de modo que o nome "carboidrato" (literalmente "hidrato de carbono") é histórico e não uma definição química rigorosa.
Outro ponto que costuma passar despercebido é a ciclização: em solução aquosa, os monossacarídeos de cinco ou mais carbonos praticamente não existem na forma aberta, mas sim como anéis (piranoses, de seis membros, e furanoses, de cinco), resultantes da reação intramolecular entre o grupo carbonila e uma hidroxila; é essa ciclização que gera os carbonos anoméricos e as formas alfa e beta, conceito essencial para entender por que a celulose e o amido, ambos polímeros de glicose, têm propriedades tão diferentes — a celulose tem ligações beta-1,4 e o amido, alfa-1,4, e o corpo humano só possui enzimas para hidrolisar a ligação alfa, o que explica por que digerimos batata mas não madeira.
Dissacarídeos
União de dois monossacarídeos por ligação glicosídica, com perda de água. Sacarose = glicose + frutose (açúcar da cana); lactose = glicose + galactose (leite); maltose = glicose + glicose. A intolerância à lactose decorre da falta da enzima lactase.
Aprofundar ▾
Os dissacarídeos são moléculas formadas pela condensação de dois monossacarídeos, unidos por uma ligação glicosídica que pode assumir configuração alfa ou beta — e é justamente essa geometria que define o destino metabólico de cada açúcar no nosso organismo. As enzimas digestivas humanas, como as dissacaridases da borda em escova do intestino delgado, são altamente específicas: hidrolisam ligações glicosídicas alfa, mas a lactase é uma exceção notável, pois cliva especificamente a ligação beta-1,4 da lactose, liberando glicose e galactose para absorção. A sacarase, por sua vez, quebra a ligação alfa-1,2 entre glicose e frutose da sacarose; a maltase atua sobre a ligação alfa-1,4 da maltose, produzindo duas glicoses.
Vale destacar que a celulose, polímero de glicose com ligações beta-1,4, não é digerida por nós exatamente porque não possuímos celulase — o que reforça que não é a "regra geral" que importa, mas a enzima específica disponível.
Polissacarídeos
Polímeros de monossacarídeos. Função de reserva: amido nos vegetais e glicogênio nos animais, no fígado e nos músculos. Função estrutural: celulose na parede vegetal e quitina no exoesqueleto de artrópodes e na parede de fungos.
Aprofundar ▾
Os polissacarídeos se formam pela união de centenas a milhares de monossacarídeos através de ligações glicosídicas, que surgem da reação entre o grupo hidroxila de um açúcar e o carbono anomérico de outro, com eliminação de uma molécula de água — por isso são classificados como polímeros de condensação. O tipo de ligação e a ramificação da cadeia definem propriedades funcionais distintas: no amido, encontramos dois componentes, a amilose (cadeia linear com ligações α-1,4) e a amilopectina (ramificada a cada 24–30 resíduos por ligações α-1,6); no glicogênio, a ramificação é ainda mais frequente (a cada 8–12 resíduos), o que aumenta a solubilidade e acelera a mobilização de glicose quando o organismo precisa de energia rápida.
Já a celulose apresenta ligações β-1,4, que conferem rigidez e resistência à tração, sendo digerida apenas por microrganismos que possuem a enzima celulase — ausente nos humanos, o que explica a importância das fibras vegetais na dieta sem valor energético direto. Na quitina, o monossacarídeo é a N-acetilglicosamina, com ligações β-1,4 semelhantes às da celulose, mas com grupo amino acetilado, o que dá flexibilidade e impermeabilidade ao exoesqueleto. Como exemplo concreto, pense no ciclo energético humano: após uma refeição rica em carboidratos, a insulina estimula a glicogênese no fígado e nos músculos; durante o jejum, o glucagon ativa a glicogenólise, liberando glicose para o sangue.
Lipídios
Compostos apolares, insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos. Funções: reserva energética de longo prazo (mais que o dobro da energia por grama dos carboidratos), isolamento térmico, proteção mecânica, estrutura das membranas e função hormonal.
Aprofundar ▾
Os lipídios abrangem um grupo quimicamente heterogêneo — gorduras, óleos, fosfolipídios, ceras e esteroides —, mas unificado por uma propriedade comum: a baixa afinidade pela água, consequência de longas cadeias carbônicas hidrofóbicas. Essa característica explica por que, no citoplasma aquoso, eles não se dissolvem, e sim se organizam espontaneamente em estruturas como as bicamadas, com as cabeças polares voltadas para o meio aquoso e as caudas apolares escondidas no interior. É exatamente esse arranjo que forma a base das membranas celulares, nas quais os fosfolipídios criam a barreira seletiva que separa o interior da célula do ambiente externo.
Triglicerídeos
Ésteres de glicerol com três ácidos graxos. Se os ácidos graxos são saturados, o lipídio é sólido — as gorduras animais; se insaturados, líquido — os óleos vegetais. São a principal forma de reserva energética do tecido adiposo.
Aprofundar ▾
Os triglicerídeos são lipídios simples formados pela esterificação de uma molécula de glicerol com três ácidos graxos, unidos por ligações do tipo éster, numa reação que libera três moléculas de água. Essa estrutura apolar explica por que são insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos, como éter e clorofórmio, propriedade muito explorada em questões de extração e identificação de lipídios. Quanto ao grau de saturação das cadeias, vale detalhar: nos ácidos graxos saturados as cadeias são retas, empacotam-se bem e as forças de van der Waals mantêm o ponto de fusão alto — por isso a gordura animal, como a do sebo bovino, é sólida à temperatura ambiente; já os ácidos graxos insaturados apresentam duplas ligações que criam "dobras" na cadeia, dificultando o empacotamento e baixando o ponto de fusão, o que torna os óleos vegetais, como o de soja e o de oliva, líquidos.
Os triglicerídeos funcionam como reserva energética porque são anidros e altamente reduzidos: rendem cerca de 9 kcal por grama, mais que o dobro das proteínas e carboidratos (4 kcal/g), sendo vantajosos para animais que precisam armazenar energia com pouco peso e volume, inclusive em ambientes secos. Quando o organismo precisa dessa energia, lipases hidrolisam as ligações éster, liberando glicerol e ácidos graxos para a beta-oxidação; a hidrólise com base forte (saponificação) produz sabão e glicerol, reação clássica em prova.
Fosfolipídios
Glicerol ligado a dois ácidos graxos e a um grupo fosfato. São anfipáticos: cabeça polar hidrofílica e caudas apolares hidrofóbicas. Em água organizam-se espontaneamente em bicamada — a base de todas as membranas celulares.
Aprofundar ▾
Os fosfolipídios são moléculas que combinam regiões de afinidades opostas e, por isso, ditam a arquitetura das membranas biológicas. Além da estrutura clássica com glicerol (fosfoglicerídeos), existem os esfingolipídios, em que o álcool é a esfingosina, e alguns apresentam açúcares ligados ao fosfato, os glicofosfolipídios. A cabeça polar costuma ser um fosfato ligado a colina, serina, etanolamina ou inositol, enquanto as caudas derivam de ácidos graxos que podem ser saturados ou insaturados — quanto mais insaturados, mais fluida a membrana, o que explica a fluidez ajustável em temperaturas diferentes e o papel do colesterol como modulador. Em meio aquoso, essas moléculas não formam micelas: como têm duas caudas, o formato cônico favorece a bicamada, com as cabeças voltadas para a água e as caudas escondidas no interior.
Cerídeos
As ceras: ésteres de ácidos graxos com álcoois de cadeia longa. Função predominantemente de impermeabilização e proteção — a cutícula das folhas, a cera das penas e do exoesqueleto de insetos, o cerume e a cera de abelha do favo.
Aprofundar ▾
As cerídeos são classificados como lipídios simples, formados pela união de um ácido graxo de cadeia longa (geralmente com 14 a 36 carbonos) com um álcool também de cadeia longa (monoálcool), resultando em moléculas extremamente apolares e, por isso, praticamente insolúveis em água — o que explica sua eficiência como barreira hídrica. Diferentemente dos triglicerídeos, que são reserva energética, e dos fosfolipídios, que compõem membranas, os cerídeos têm função estrutural e protetora, sendo metabolicamente pouco mobilizados. O ponto clássico de prova é justamente a distinção: se a questão pede "lipídio com função de impermeabilização e proteção", a resposta é cerídeo; se pede "reserva energética", é triglicerídeo.
Em resumo, domine a fórmula geral (R–COO–R'), a insolubilidade em água e os exemplos clássicos, pois é isso que garante o acerto tanto em questões objetivas quanto nas discursivas, que costumam pedir a relação entre a estrutura apolar e a função de barreira contra a desidratação.
Esteroides
Lipídios de estrutura em quatro anéis carbônicos. O colesterol compõe a membrana das células animais e origina os demais: hormônios sexuais (testosterona, estrógeno, progesterona), corticoides, sais biliares e vitamina D, sintetizada na pele sob ação da luz solar.
Aprofundar ▾
Os esteroides são lipídios que não se encaixam na definição clássica de cadeia de ácidos graxos: derivam de um esqueleto rígido e planar formado por quatro anéis carbônicos fundidos — três ciclos de seis carbonos (fenantreno) e um de cinco (ciclopentano) —, o núcleo do ciclopentanoperidrofenantreno, também chamado de esterano. É esse esqueleto que confere aos esteroides seu caráter apolar e sua baixa solubilidade em água, ao mesmo tempo que os torna capazes de atravessar membranas biológicas com facilidade, característica central para a ação de hormônios esteroidais. Pequenas variações nos grupos funcionais ligados a esse núcleo geram a enorme diversidade funcional da classe: o colesterol, por exemplo, carrega uma hidroxila no carbono 3, o que o torna anfipático — a cabeça polar interage com a fase aquosa, enquanto o restante da molécula se acomoda entre as caudas apolares dos fosfolipídios.
É justamente esse arranjo que modula a fluidez da membrana plasmática animal, tornando-a menos permeável a pequenas moléculas hidrossolúveis e mais estável em variações de temperatura. Como exemplo concreto, pense nos sais biliares, derivados do colesterol no fígado: sua estrutura anfipática permite emulsificar gorduras no intestino delgado, aumentando a superfície de contato para a ação das lipases pancreáticas — sem eles, a digestão de lipídios seria drasticamente reduzida.
Vitaminas
Compostos orgânicos necessários em pequenas quantidades, em geral atuando como coenzimas. Não são fonte de energia. As hidrossolúveis (C e complexo B) não se acumulam e devem ser ingeridas com frequência; as lipossolúveis (A, D, E, K) armazenam-se e podem causar hipervitaminose.
Aprofundar ▾
As vitaminas atuam como cofatores enzimáticos, ou seja, moléculas que se associam a enzimas para permitir que elas funcionem: sem a vitamina, a enzima existe, mas não catalisa a reação. É por isso que a deficiência vitamínica gera sintomas tão variados — cada vitamina participa de vias metabólicas diferentes.
Outro caso importante é o das vitaminas do complexo B, que funcionam como coenzimas no metabolismo energético: a B1 (tiamina), na forma de pirofosfato de tiamina (TPP), é essencial para a descarboxilação oxidativa do piruvato; sua carência causa o beribéri, com fraqueza muscular e problemas neurológicos. Já a B12 (cobalamina) participa da síntese de DNA e da formação da bainha de mielina, e sua falta leva à anemia perniciosa e a danos neurológicos. As lipossolúveis têm outra lógica: a vitamina D é precursora hormonal, a A forma o retinal da rodopsina (visão) e a K é cofator da coagulação.