Características gerais
Samambaias, avencas, cavalinhas e licopódios. Foram as primeiras plantas vasculares: possuem xilema e floema, o que permitiu grande porte — formaram as florestas do Carboniferoso, origem do carvão mineral. Têm raiz, caule e folhas verdadeiros, mas ainda não produzem sementes.
Aprofundar ▾
As pteridófitas representam o grupo que marca a transição definitiva das plantas do ambiente aquático para o terrestre, mas sem romper com a água de forma completa, e é justamente essa ambiguidade que as torna tão cobradas nas provas. Diferentemente das briófitas, que dependem da água para a fecundação e ainda não possuem vasos condutores, as pteridófitas já apresentam vasos condutores de seiva — o xilema, que transporta água e sais minerais das raízes para as folhas, e o floema, que distribui os açúcares produzidos na fotossíntese. Essa aquisição foi revolucionária porque permitiu que a planta alcançasse maior porte e colonizasse ambientes mais secos, ainda que a água permaneça indispensável em um momento crucial: o gameta masculino (anterozoide flagelado) precisa nadar até o gameta feminino (oosfera) dentro do arquegônio, o que só ocorre em meio líquido, geralmente uma película de água da chuva ou do orvalho.
É por isso que samambaias e avencas são típicas de ambientes úmidos e sombreados, como o interior de florestas tropicais. Para entender isso de forma concreta, pense numa samambaia comum (gênero Polypodium): a planta grande e verde que vemos é o esporófito, a fase duradoura e dominante do ciclo de vida, que produz esporos em estruturas chamadas soros, localizadas na face inferior das folhas. Ao germinar, cada esporo origina um gametófito reduzido, achatado e em forma de coração, chamado protalo, que é transitório — vive apenas o tempo necessário para produzir os gametas e permitir a fecundação. Esse protalo é independente do esporófito e realiza fotossíntese, mas é efêmero e frágil, dependendo diretamente da umidade do solo e do ar para sobreviver.
Haveria, portanto, uma alternância de gerações em que o esporófito (2n) é dominante e o gametófito (n) é passageiro e dependente da água.
Vale destacar ainda que nem todas são samambaias típicas: as cavalinhas (Equisetum) têm caule articulado e áspero, rico em sílica, enquanto os licopódios apresentam folhas diminutas e esporângios reunidos em estruturas chamadas estróbilos — exemplos que aparecem em questões mais específicas, sobretudo em provas como Fuvest, Unicamp e ITA. Assim, ao estudar as pteridófitas, o aluno deve fixar três pilares: são as primeiras plantas vasculares, têm esporófito dominante e gametófito transitório, e continuam dependendo da água para a fecundação, o que explica sua distribuição preferencial em ambientes úmidos e sua importância histórica como formadoras do carvão mineral que moveu a Revolução Industrial e ainda hoje alimenta termelétricas e fornos siderúrgicos.
Esporófito
É a fase dominante e duradoura — a samambaia que se reconhece. Diploide (2n), com raízes, caule geralmente subterrâneo (rizoma) e folhas grandes (frondes). Na face inferior das folhas ficam os soros, agrupamentos de esporângios onde ocorre a meiose.
Aprofundar ▾
O esporófito é a fase do ciclo de vida das pteridófitas que investe na independência e na eficiência da dispersão: enquanto nas briófitas o esporófito vive preso ao gametófito e dele depende para água e nutrientes, aqui ele se torna uma planta autônoma, fotossintetizante e com vasos condutores de seiva (xilema e floema), o que resolve o problema de transporte em um corpo maior. Essa é a novidade evolutiva central — a vascularização permitiu que o esporófito crescesse em altura e colonizasse ambientes mais secos, ainda que a fecundação continue dependendo de água, pois o gametófito (a pequena plantinha verde, chamada prótalo) precisa de um filme líquido para o anterozoide nadar até a oosfera.
Gametófito
Chamado prótalo: pequeno, verde, laminar, em forma de coração e de vida independente, porém efêmera. Haploide (n), produz anterídios e arquegônios. Sua fragilidade e a necessidade de água na fecundação limitam a ocupação de ambientes secos.
Aprofundar ▾
O gametófito das pteridófitas representa a fase haploide (n) do ciclo de alternância de gerações, sendo o esporófito (2n) a fase duradoura e dominante — o inverso do que ocorre nas briófitas, nas quais o gametófito é a geração principal. No prótalo, a meiose já ocorreu durante a produção dos esporos pelo esporófito, de modo que a germinação do esporo origina diretamente um indivíduo haploide sem fase diploide intermediária. Esse gametófito é monoico na maioria das espécies, como em Polypodium e na samambaia Pteridium aquilinum, produzindo anterídios (que liberam anterozoides flagelados) e arquegônios (que abrigam a oosfera) na mesma lâmina — o que favorece a autofecundação quando não há proximidade entre prótalos distintos, garantindo reprodução mesmo em populações isoladas.
A fecundação depende de uma película de água, pois o anterozoide precisa nadar até o arquegônio; formado o zigoto (2n), este se desenvolve em um novo esporófito ainda sobre o prótalo, que definha e morre.