F1 · Aulas 13–15

Tipos celulares

Teoria celular

Formulada por Schleiden e Schwann e completada por Virchow. Três princípios: todos os seres vivos são formados por células; a célula é a unidade estrutural e funcional da vida; e toda célula provém de outra preexistente (omnis cellula e cellula). Vírus são a exceção acelular.

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A Teoria Celular não nasceu pronta: foi um processo de quase dois séculos, começando com Robert Hooke, que em 1665 observou ao microscópio cortes de cortiça e cunhou o termo "célula" para os pequenos compartimentos vazios que viu, e passando por Anton van Leeuwenhoek, que descreveu os primeiros seres unicelulares vivos. Só em 1838-1839 Schleiden (estudando plantas) e Schwann (estudando animais) perceberam que ambos os reinos compartilhavam a mesma organização celular, unificando a biologia sob um único princípio. Faltava ainda explicar de onde vinham as células: a ideia vigente era a de geração espontânea, segundo a qual a vida surgiria de matéria inanimada. Louis Pasteur, com seus experimentos com frascos de pescoço de cisne, derrubou essa hipótese ao provar que microrganismos só apareciam quando havia contato com o ar contaminado, e Rudolf Virchow consolidou, em 1855, o princípio omnis cellula e cellula.

Vale notar que a teoria foi posteriormente aprimorada: com a descoberta do DNA e dos vírus, sabemos que a célula é a unidade genética da vida, e admite-se hoje que a origem da primeira célula (abiogênese) é um evento distinto da reprodução celular cotidiana. Na prática, as provas costumam cobrar justamente essas nuances: a Fuvest, por exemplo, já pediu para o aluno identificar por que os vírus não contrariam a Teoria Celular (são acelulares e parasitas intracelulares obrigatórios), enquanto a Unicamp e o ENEM exploram a diferença entre geração espontânea e biogênese, associando os experimentos de Redi e Pasteur à formulação de Virchow, e o ITA costuma exigir a distinção entre os três postulados clássicos e as atualizações modernas, como a origem independente da primeira célula.

Tipos de célula

Divisão fundamental: procariótica, sem núcleo delimitado nem organelas membranosas, e eucariótica, com núcleo envolto por carioteca e sistema de endomembranas. A distinção é mais profunda que a divisão entre animais e vegetais.

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Aprofundando o tópico, vale entender que a distinção entre procariotos e eucariotos não é apenas uma questão de "ter ou não núcleo", mas sim de organização celular como um todo, com consequências evolutivas e funcionais profundas. Nos procariotos, o material genético é uma molécula de DNA circular, geralmente única, localizada em uma região chamada nucleoide, sem membrana que a separe do citoplasma; além disso, a ausência de organelas membranosas significa que processos como respiração e fotossíntese, quando ocorrem, acontecem em estruturas da própria membrana plasmática ou em dobras internas dela, como os mesossomos. Já nos eucariotos, o DNA está organizado em cromossomos lineares dentro do núcleo, delimitado pela carioteca, e a compartimentalização permitiu especialização funcional: mitocôndrias e cloroplastos, por exemplo, realizam etapas da respiração e da fotossíntese em ambientes separados do citoplasma, o que aumenta a eficiência energética.

Célula procariótica

Material genético em um nucleoide, sem membrana, geralmente com DNA circular único e plasmídeos. Tem ribossomos menores (70S), parede celular e nenhuma organela membranosa. Bactérias e arqueas — o único grupo de seres vivos formado por elas.

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A célula procariótica representa o modelo celular mais antigo e estruturalmente mais simples, sendo o único tipo encontrado em bactérias e arqueias, mas sua aparente simplicidade esconde uma eficiência bioquímica notável. A ausência de compartimentos membranosos internos faz com que processos como transcrição e tradução ocorram simultaneamente no citoplasma, o que confere a esses organismos uma velocidade de resposta metabólica muito alta e explica, por exemplo, por que uma população bacteriana pode dobrar de tamanho em poucos minutos em condições favoráveis. Vale destacar que, embora não possuam mitocôndrias ou cloroplastos, muitas bactérias realizam respiração celular na própria membrana plasmática, que pode apresentar dobras chamadas mesossomos, e outras fazem fotossíntese em sistemas de membranas internas ou em vesículas especializadas.

Além disso, a parede celular, formada por peptideoglicano em bactérias (ausente em arqueias, cujas paredes têm composição distinta), é alvo de antibióticos como a penicilina, o que conecta o tema à saúde pública. Como exemplo concreto, a Escherichia coli, bactéria intestinal, possui um único cromossomo circular e diversos plasmídeos que podem carregar genes de resistência a antibióticos, ilustrando como a organização procariótica favorece a troca rápida de material genético por conjugação.

Célula eucariótica

Núcleo delimitado pela carioteca, com DNA linear associado a histonas, e citoplasma com organelas membranosas: mitocôndrias, retículos, complexo golgiense. Ribossomos maiores (80S). Ocorre em protistas, fungos, plantas e animais.

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A célula eucariótica se define menos por uma lista de peças e mais por um princípio organizacional: a compartimentalização. A presença da carioteca permite separar transcrição (no núcleo) de tradução (no citoplasma), o que viabiliza processamento do RNA — capeamento, poliadenilação e splicing — antes que ele chegue aos ribossomos, algo impossível em procariotos, onde os dois processos ocorrem simultaneamente e acoplados. Isso explica por que eucariotos podem produzir, a partir de um mesmo gene, várias proteínas distintas por splicing alternativo: é uma vantagem informacional, não apenas estrutural. Some-se a isso a teoria endossimbionte: mitocôndrias e cloroplastos derivam de bactérias incorporadas por endocitose, o que se sustenta em evidências como DNA circular próprio, ribossomos 70S e dupla membrana — detalhes muito explorados em prova.

Origem da célula eucariótica

Hipótese de invaginação da membrana plasmática, gerando o núcleo e o sistema de endomembranas a partir de dobras internas. Explica a origem da carioteca e do retículo, mas não dá conta das mitocôndrias e dos cloroplastos — daí a teoria endossimbiôntica.

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A teoria endossimbiôntica, proposta por Lynn Margulis em 1967 e hoje amplamente aceita, sustenta que mitocôndrias e cloroplastos descendem de bactérias de vida livre que foram englobadas por uma célula hospedeira ancestral — provavelmente um procarioto anaeróbio ou uma célula eucariótica primitiva — sem serem digeridas, estabelecendo uma relação de simbiose permanente. A mitocôndria teria derivado de uma alfa-proteobactéria aeróbia, capaz de realizar respiração celular, enquanto o cloroplasto viria de uma cianobactéria fotossintetizante; nesse segundo caso, a aquisição teria ocorrido depois, em linhagens já dotadas de mitocôndrias, caracterizando um evento secundário e restrito a algas e plantas.

As evidências são robustas: mitocôndrias e cloroplastos possuem DNA circular próprio, ribossomos semelhantes aos bacterianos, dupla membrana (sendo a interna homóloga à membrana da bactéria ancestral e a externa derivada da vesícula fagocítica do hospedeiro), capacidade de autoduplicação e sensibilidade a antibióticos que também atingem bactérias — como o cloranfenicol, que inibe a síntese proteica nesses organelos. O caso das mitocôndrias é especialmente didático: células eucarióticas sem mitocôndrias funcionais não sobrevivem em condições aeróbias, o que mostra o grau de dependência estabelecido ao longo de mais de um bilhão de anos de coevolução, com transferência massiva de genes do simbionte para o núcleo do hospedeiro.

Teoria endossimbiôntica

Proposta por Lynn Margulis: mitocôndrias e cloroplastos seriam bactérias englobadas por uma célula ancestral, estabelecendo simbiose. Evidências: dupla membrana, DNA circular próprio, ribossomos do tipo 70S e divisão independente por bipartição.

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A teoria endossimbiôntica, hoje praticamente consensual na biologia, propõe que organelas energéticas das células eucarióticas descendem de bactérias de vida livre que passaram a viver dentro de outra célula, num processo chamado endossimbiose, em que ambos os parceiros se beneficiam: a célula hospedeira ganha energia (e, no caso dos cloroplastos, também a capacidade de fotossintetizar) e o endossimbionte recebe proteção, nutrientes e um ambiente estável. É importante notar que a teoria não explica a origem da célula eucariótica como um todo, mas sim a de organelas específicas: mitocôndrias, cloroplastos e, em alguns grupos, estruturas derivadas.

Admite-se que a mitocôndria tenha surgido primeiro, a partir de uma proteobactéria aeróbia, provavelmente aparentada às atuais Rickettsiales; essa aquisição permitiu explorar a respiração aeróbia de forma muito mais eficiente. Já o cloroplasto teria origem posterior, a partir de uma cianobactéria fotossintetizante engolida por uma célula já portadora de mitocôndria, o que explica por que apenas linhagens de algas e plantas o possuem, enquanto a mitocôndria (ou vestígios dela) está em praticamente todos os eucariontes estudados.

As evidências se somam: além da dupla membrana (a interna seria a do próprio simbionte; a externa, vestígio da membrana da célula hospedeira), do DNA circular e próprio, dos ribossomos 70S, da capacidade de autoduplicação por bipartição e da sensibilidade a antibióticos que agem em bactérias, destaca-se o fato de os genes dessas organelas terem muitas semelhanças com genes bacterianos e migrarem, ao longo do tempo evolutivo, para o núcleo da célula hospedeira — o que explica por que a mitocôndria atual depende de proteínas codificadas pelo DNA nuclear.

Outro caso clássico é o das mitocôndrias que perderam quase todo o DNA, mas mantiveram a função.