Teoria celular
Formulada por Schleiden e Schwann e completada por Virchow. Três princípios: todos os seres vivos são formados por células; a célula é a unidade estrutural e funcional da vida; e toda célula provém de outra preexistente (omnis cellula e cellula). Vírus são a exceção acelular.
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A Teoria Celular não nasceu pronta: foi um processo de quase dois séculos, começando com Robert Hooke, que em 1665 observou ao microscópio cortes de cortiça e cunhou o termo "célula" para os pequenos compartimentos vazios que viu, e passando por Anton van Leeuwenhoek, que descreveu os primeiros seres unicelulares vivos. Só em 1838-1839 Schleiden (estudando plantas) e Schwann (estudando animais) perceberam que ambos os reinos compartilhavam a mesma organização celular, unificando a biologia sob um único princípio. Faltava ainda explicar de onde vinham as células: a ideia vigente era a de geração espontânea, segundo a qual a vida surgiria de matéria inanimada. Louis Pasteur, com seus experimentos com frascos de pescoço de cisne, derrubou essa hipótese ao provar que microrganismos só apareciam quando havia contato com o ar contaminado, e Rudolf Virchow consolidou, em 1855, o princípio omnis cellula e cellula.
Vale notar que a teoria foi posteriormente aprimorada: com a descoberta do DNA e dos vírus, sabemos que a célula é a unidade genética da vida, e admite-se hoje que a origem da primeira célula (abiogênese) é um evento distinto da reprodução celular cotidiana. Na prática, as provas costumam cobrar justamente essas nuances: a Fuvest, por exemplo, já pediu para o aluno identificar por que os vírus não contrariam a Teoria Celular (são acelulares e parasitas intracelulares obrigatórios), enquanto a Unicamp e o ENEM exploram a diferença entre geração espontânea e biogênese, associando os experimentos de Redi e Pasteur à formulação de Virchow, e o ITA costuma exigir a distinção entre os três postulados clássicos e as atualizações modernas, como a origem independente da primeira célula.