Fatores evolutivos
A teoria sintética ou neodarwinismo une Darwin à genética mendeliana. Fatores que aumentam a variabilidade: mutação e recombinação gênica. Fatores que a orientam ou reduzem: seleção natural, deriva genética e migração. Também contam a seleção sexual e o isolamento.
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Os fatores evolutivos são as forças capazes de alterar as frequências alélicas de uma população ao longo das gerações, e é justamente por isso que o equilíbrio de Hardy-Weinberg serve como ponto de partida: numa população ideal (grande, sem mutação, sem migração, sem seleção e com cruzamentos aleatórios) as frequências não mudam, de modo que qualquer desvio desse modelo denuncia a ação de um fator evolutivo. A mutação é a fonte primária de alelos novos, ainda que sua taxa seja baixa; a recombinação apenas embaralha combinações já existentes; a seleção natural é o único fator que gera adaptação, pois favorece diferencialmente os fenótipos mais aptos ao ambiente; a deriva genética é a flutuação aleatória das frequências, cujo efeito cresce em populações pequenas, podendo até fixar alelos deletérios; e a migração (fluxo gênico) homogeneíza populações, reduzindo diferenças entre elas.
Mutações
Única fonte primária de novos alelos. São aleatórias quanto à utilidade — não surgem porque são necessárias. A maioria é neutra ou prejudicial; raras são vantajosas. Podem ser gênicas ou cromossômicas, e só têm efeito evolutivo se ocorrerem nas células germinativas.
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Para além do que o resumo já estabelece, vale aprofundar dois pontos que as provas costumam cobrar: a taxa de mutação e o papel da mutação como matéria-prima da seleção natural. A taxa de mutação não é fixa nem uniforme entre os genomas: ela varia conforme o gene ou região do DNA, o tipo celular, a idade do organismo e, sobretudo, a exposição a agentes mutagênicos — físicos, como radiações ionizantes e ultravioleta, ou químicos, como análogos de bases e agentes alquilantes que alteram a estrutura do DNA. Além disso, a própria maquinaria de reparo do DNA influencia essa taxa: espécies com sistemas de reparo mais eficientes acumulam menos mutações, o que ajuda a explicar por que certos organismos apresentam genomas mais estáveis que outros.
É importante distinguir três conceitos que as bancas adoram misturar: mutação é a alteração no material genético; mutagênese é o processo que a induz; e mutágeno é o agente causador. Outro ponto decisivo é que a mutação não é direcionada pelo ambiente: ela surge ao acaso e só depois é testada pela seleção. Isso significa que a mutação não “responde” a uma necessidade ecológica — ela cria variação sobre a qual a seleção atua, sendo, portanto, a fonte última da variabilidade genética sobre a qual incidem seleção natural, deriva genética e fluxo gênico.
Em resumo, o candidato precisa dominar que a mutação é a fonte primária de novos alelos, ocorre ao acaso, tem taxa influenciada por mutágenos e sistemas de reparo, e só tem efeito evolutivo quando presente em células germinativas — sendo, por isso, a matéria-prima sobre a qual a seleção natural, a deriva e o fluxo gênico atuam para moldar a evolução das populações ao longo das gerações.
Recombinações gênicas
Rearranjam alelos já existentes, sem criar novos. Ocorrem na meiose, pelo crossing-over e pela segregação independente dos cromossomos, e na fecundação, pela combinação aleatória de gametas. É a razão evolutiva da reprodução sexuada.
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A recombinação gênica atua sobre a variabilidade que a mutação já produziu, funcionando como um "embaralhador" que gera combinações inéditas de alelos ao longo dos cromossomos e entre eles, ampliando enormemente o número de genótipos possíveis a partir de um conjunto limitado de genes. É importante distinguir dois níveis: a recombinação intercromossômica, resultante da segregação independente na meiose (válida para genes em cromossomos diferentes ou distantes), e a intracromossômica, fruto do crossing-over entre cromátides homólogas, capaz de separar alelos que estavam ligados (linkage). Essa quebra de ligação é evolutivamente crucial, pois sem ela genes próximos tenderiam a ser herdados como um bloco único, limitando a ação da seleção natural sobre cada locus.