Órgãos do sistema imunitário
Conjunto de órgãos, células e moléculas que defendem o organismo de agentes estranhos e de células alteradas. Dividem-se em primários, onde as células de defesa se formam e amadurecem, e secundários, onde elas encontram os antígenos e são ativadas.
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Os órgãos primários (medula óssea e timo) são chamados assim porque neles ocorre a linfopoese, ou seja, a origem e a maturação dos linfócitos, que passam por processos de seleção rigorosos antes de entrar em circulação; na medula óssea, todas as células sanguíneas surgem a partir do hematócito-tronco pluripotente, e é lá que os linfócitos B completam sua maturação e adquirem os receptores de membrana capazes de reconhecer antígenos específicos, enquanto os linfócitos T migram para o timo, onde sofrem a seleção positiva (sobrevivem apenas os que reconhecem o MHC próprio com afinidade adequada) e a seleção negativa (são eliminados os que reagem de forma exacerbada contra componentes do próprio corpo, prevenindo doenças autoimunes), restando cerca de 2% dos timócitos originais, o que explica por que o timo involui com a idade.
Já os órgãos secundários — linfonodos, baço, tonsilas, apêndice cecal e tecidos linfoides associados às mucosas (MALT) — funcionam como sítios de encontro entre linfócitos maduros e antígenos, desencadeando a ativação, a proliferação clonal e a diferenciação em células efetoras e de memória; um exemplo integrador é o que ocorre numa infecção de garganta: o antígeno é capturado no linfonodo cervical, apresentado por células dendríticas aos linfócitos T auxiliares, que estimulam linfócitos B a se transformarem em plasmócitos produtores de anticorpos, com o linfonodo aumentando de volume e ficando doloroso (a popular “íngua”), sinal clínico clássico de ativação imune.
Primários
Medula óssea vermelha, onde se originam todas as células sanguíneas e onde amadurecem os linfócitos B; e o timo, no tórax, onde amadurecem os linfócitos T — daí a letra T. O timo é grande na infância e regride após a puberdade.
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Os órgãos linfoides primários são chamados assim porque neles os linfócitos passam pelos processos de maturação e seleção, tornando-se células imunocompetentes antes de migrar para os órgãos secundários, como linfonodos, baço e tecidos linfoides associados às mucosas. Na medula óssea vermelha, além da origem dos linfócitos B, ocorre a seleção negativa: clones que reconhecem antígenos próprios com alta afinidade são eliminados por apoptose, evitando autoimunidade. Já no timo, os linfócitos T recém-chegados da medula passam por dois "testes": a seleção positiva, em que só sobrevivem os que reconhecem MHC próprio, e a seleção negativa, que elimina os autorreativos — esse fenômeno é chamado de educação tímica e é exclusivo dos linfócitos T, o que explica por que o timo é o órgão central da tolerância imunológica.
Como exemplo concreto, a síndrome de DiGeorge resulta de uma deleção no cromossomo 22q11 que impede a formação do timo: bebês nascem sem linfócitos T maduros, sofrem infecções fúngicas e virais graves e apresentam níveis normais de linfócitos B, evidenciando que a maturação de cada linhagem ocorre em órgão distinto. Vale ainda lembrar que a medula óssea, por ser também local de maturação de linfócitos B em humanos, é chamada de órgão linfoide primário, enquanto em aves essa função é exercida pela bursa de Fabricius — detalhe clássico de prova.
Secundários
Linfonodos, que filtram a linfa e incham nas infecções; baço, que filtra o sangue e remove hemácias velhas; tonsilas (amígdalas); e o tecido linfoide associado às mucosas, como as placas de Peyer no intestino. É neles que ocorre a resposta imunitária propriamente dita.
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Enquanto os órgãos linfoides primários (medula óssea e timo) são os locais onde os linfócitos se originam e adquirem competência imunológica, os secundários funcionam como verdadeiros "campos de batalha", onde os linfócitos já maduros encontram os antígenos e desencadeiam a resposta adaptativa; sua arquitetura é estratégica, pois cada um organiza o parênquima em regiões distintas, como a zona cortical rica em linfócitos B (nos folículos e centros germinativos) e a zona paracortical/medular onde predominam linfócitos T, o que permite a interação entre células apresentadoras de antígenos, linfócitos B e T auxiliares, além da seleção clonal e da produção de plasmócitos e células de memória — é exatamente essa organização que explica o inchaço (aumento de volume) dos linfonodos durante infecções, chamado de adenomegalia.