Características gerais
Maior filo do reino animal, com mais de 80% das espécies conhecidas. Marcas: exoesqueleto de quitina, apêndices articulados e corpo segmentado com tagmatização — fusão de segmentos em regiões especializadas: cabeça, tórax e abdome, ou cefalotórax e abdome.
Aprofundar ▾
O sucesso evolutivo dos artrópodes se explica pela combinação entre o exoesqueleto de quitina e os apêndices articulados, que juntos funcionaram como uma verdadeira "armadura articulada": o exoesqueleto protege contra predadores e dessecação, oferece pontos de inserção para músculos e permite a vida em ambientes terrestres áridos, enquanto os apêndices, ocos e movidos por músculos internos, especializaram-se em funções como locomoção, captura de alimento, defesa, percepção sensorial e reprodução. Para crescer, porém, o animal precisa trocar esse exoesqueleto periodicamente por meio da ecdise (muda), processo controlado pelo hormônio ecdisona, no qual o artrópode secreta um novo esqueleto sob o antigo e o abandona, ficando temporariamente vulnerável até que a nova cutícula endureça.
Dominar o conceito de tagmatização também ajuda a entender por que a fusão de segmentos em regiões especializadas — cabeça, tórax e abdome nos insetos, cefalotórax e abdome nos crustáceos e aracnídeos — foi decisiva para a diversificação do filo, permitindo que diferentes grupos ocupassem nichos tão distintos quanto o voo, a vida aquática e a predação terrestre, sempre com o mesmo plano corporal básico adaptado por variações na forma e no número de segmentos e apêndices.
Curva de crescimento de artrópodes
O exoesqueleto rígido não cresce junto com o animal, o que obriga às mudas ou ecdises. Por isso o crescimento é descontínuo, em degraus: o tamanho salta logo após cada muda, quando o novo exoesqueleto ainda está mole, e fica estável entre elas.
Aprofundar ▾
O crescimento por degraus só se entende quando se detalha o que acontece dentro de cada muda: pouco antes da ecdise, a epiderme se separa do exoesqueleto antigo e secreta um líquido que digere a camada interna quitinosa, reciclando seus componentes, enquanto por baixo já se forma o novo exoesqueleto, inicialmente mole e pregueado; ao se romper a velha cutícula, o animal absorve água ou ar, distende o corpo, e depois o novo esqueleto endurece e escurece por esclerotização, processo que consome a maior parte do ganho de tamanho. Esse ciclo é controlado por hormônios: a ecdisona, produzida por glândulas associadas à epiderme ou a órgãos específicos, dispara a muda, enquanto o hormônio juvenil determina a natureza do novo estágio — em nível alto, mantém as características larvais, de modo que a muda apenas aumenta o tamanho da forma jovem; quando esse hormônio cai, a muda seguinte produz a metamorfose para o adulto.