Regulação gênica em procariontes
Nas bactérias, genes de uma mesma via metabólica costumam estar agrupados em um óperon, sob controle de um único promotor. O modelo clássico é o óperon lac de E. coli, estudado por Jacob e Monod (Nobel de 1965), que regula a digestão da lactose conforme sua disponibilidade no meio.
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A lógica central da regulação gênica em procariontes é econômica: a célula só transcreve genes cujos produtos serão úteis no momento, evitando gasto energético desnecessário. Como bactérias vivem em ambientes imprevisíveis e se dividem rapidamente, a resposta precisa ser ágil e reversível — e isso se dá principalmente no nível da transcrição, controlando o acesso da RNA polimerase ao promotor. Há dois padrões básicos: genes indutíveis, que só se ligam quando há substrato disponível, e genes reprimíveis, ligados por padrão e desligados quando o produto já é suficiente. As proteínas reguladoras são de dois tipos: o repressor, que bloqueia a transcrição ao se ligar ao operador (impedindo fisicamente o avanço da polimerase), e o ativador, que ajuda a polimerase a se acoplar ao promotor.
Um mesmo regulador pode ainda sofrer controle alostérico por moléculas-sinal: no óperon lac, a lactose (via alolactose) funciona como indutor, pois se liga ao repressor e o impede de bloquear o operador; já no óperon trp, o triptofano age como correpressor, ativando o repressor e desligando a via quando o aminoácido já está abundante. A esses controles soma-se a repressão catabólica (efeito glicose), mediada pelo AMPc e pela proteína CAP: quando há glicose, o AMPc cai e a ativação do lac enfraquece, mesmo com lactose presente — por isso a bactéria só "investe" em digerir lactose quando falta sua fonte preferida.
Óperon lac
Formado por um gene regulador, o promotor, o operador e três genes estruturais. Na ausência de lactose, a proteína repressora liga-se ao operador e bloqueia a transcrição. Na presença de lactose, esta se liga ao repressor, inativando-o — o operador libera-se e a RNA-polimerase transcreve os genes.
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O óperon lac, descrito por Jacob e Monod em 1961, é o modelo clássico de regulação gênica negativa e induzível em procariontes, sendo uma sequência de DNA que agrupa genes com função relacionada sob controle único. Seus três genes estruturais — lacZ, lacY e lacA — codificam, respectivamente, a β-galactosidase (quebra a lactose em glicose e galactose), a permease (transporta lactose para o interior da célula) e a transacetilase (função ainda debatida), transcritos juntos como um RNA policistrônico. Além do repressor clássico, há o controle por cAMP-CAP: quando a glicose escasseia, o cAMP aumenta e, ligado à proteína CAP, estimula a transcrição ao facilitar a ligação da RNA-polimerase ao promotor — é o mecanismo de repressão catabólica, que explica por que a bactéria só ativa plenamente o óperon quando há lactose e ausência de glicose (crescimento diáuxico).
Um caso concreto: em meio com lactose e sem glicose, o operador fica livre e o CAP estimula a transcrição, produzindo enzimas que metabolizam o açúcar; ao esgotar a lactose, o repressor volta a bloquear.
Regulação positiva e negativa
O óperon lac ilustra a regulação negativa (o repressor inibe). Há também regulação positiva, em que uma proteína ativadora facilita a ligação da RNA-polimerase — no óperon lac, isso ocorre via AMPc quando a glicose está escassa, garantindo que a lactose só seja usada se não houver glicose disponível, a fonte de energia preferencial.
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Na regulação gênica procariótica, os controles positivo e negativo atuam como camadas complementares que ajustam a transcrição às condições ambientais, e a distinção fundamental está em o que a proteína reguladora faz com a RNA-polimerase: no controle negativo, a proteína é um repressor que, ao se ligar ao operador, impede fisicamente o avanço da enzima; no controle positivo, a proteína é um ativador que, ao se ligar a uma sequência próxima ao promotor, interage com a RNA-polimerase e aumenta a afinidade dela pelo promotor, tornando a transcrição mais eficiente — ou seja, não basta o indutor estar presente e o repressor sair, é preciso que a enzima seja efetivamente recrutada.