F2 · Aulas 47–48

Tecidos vegetais adultos

Epiderme

Tecido de revestimento primário, com uma camada de células vivas e achatadas, recoberta pela cutícula cerosa, que reduz a perda de água. Apresenta anexos: estômatos, que controlam as trocas gasosas e a transpiração, tricomas, pelos absorventes e acúleos.

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A epiderme não deve ser entendida como uma barreira passiva: ela é um tecido vivo e metabolicamente ativo, cujas células se comunicam e respondem a estímulos ambientais, o que a torna um ponto de integração entre a planta e o meio. Sua origem está no meristema apical (protoderme), o que explica sua condição primária e sua presença em todos os órgãos jovens; em raízes, entretanto, a epiderme assume função absortiva, formando os pelos radiculares, que são nada mais que prolongamentos citoplasmáticos de células epidérmicas especializadas chamadas tricoblastos, aumentando enormemente a superfície de absorção de água e sais minerais.

Já nas partes aéreas, a epiderme é tipicamente unisseriada, mas pode ser pluriestratificada em plantas adaptadas a ambientes áridos, como o velame de certas epífitas, que retém umidade e protege contra a radiação. A cutícula, composta por cutina e ceras, é depositada na face externa e sua espessura varia conforme a exposição à luz e ao vento, funcionando como importante adaptação à economia de água. Os estômatos são estruturas formadas por duas células-guarda — que também são células epidérmicas especializadas, agora com cloroplastos e paredes celulares espessas assimetricamente — que se deformam ao ganhar ou perder água, abrindo ou fechando o ostíolo; esse movimento é regulado por fatores como luz, concentração de CO₂ e hormônio ácido abscísico, que induz o fechamento em situações de estresse hídrico.

Já os tricomas são apêndices de células epidérmicas que podem ter funções variadas: em algodoeiro, as fibras de tricomas são economicamente exploradas; em urtigas, atuam como defesa química; em plantas de regiões secas, criam uma camada de ar que reduz a transpiração. Os acúleos, por sua vez, são emergências que envolvem tecidos subepidérmicos, diferindo dos espinhos, que são folhas ou ramos modificados — distinção clássica em provas.

Por isso, ao estudar a epiderme, é essencial dominar não só a estrutura, mas também a função adaptativa de cada anexo em diferentes ambientes, pois é justamente essa relação entre forma e sobrevivência que as bancas exploram para diferenciar o candidato que apenas memorizou do que realmente compreendeu a biologia vegetal.

Súber

Também chamado cortiça, é tecido de revestimento secundário, produzido pelo felogênio. Formado por células mortas com paredes impregnadas de suberina, impermeável. Substitui a epiderme em caules e raízes espessos e faz trocas gasosas por lenticelas.

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O súber resolve um problema central da vida terrestre: como isolar a superfície de um vegetal sem impedir totalmente as trocas com o ambiente. Para entender seu papel, compare com a epiderme: esta, viva e delgada, dá conta de caules e raízes jovens, mas não sobrevive ao crescimento em espessura, porque se rompe à medida que o órgão dilata. Entra em cena então o felogênio, meristema secundário que se instala na periferia do órgão e produz súber para fora e feloderme para dentro, formando o conjunto chamado periderme, que substitui a epiderme nos órgãos velhos. No súber, as células morrem na maturidade e depositam suberina na parede, uma mistura de ácidos graxos e compostos fenólicos que repele água; além disso, o interior celular acumula ar, o que confere leveza e poder isolante ao tecido.

Esse arranjo explica propriedades que usamos na prática: a cortiça da sobreira (Quercus suber), explorada comercialmente em Portugal e na Espanha, é colhida a cada cerca de nove anos sem matar a árvore, pois o felogênio se recompõe e produz novo súber, servindo de rolha, isolante térmico e acústico e até de material flutuante. Como o tecido é impermeável, a passagem de gases depende de estruturas especiais, as lenticelas, aberturas lenticulares preenchidas por células frouxas que permitem a difusão de oxigênio e gás carbônico, funcionando como os "poros" da casca.

Vale lembrar que monocotiledôneas, em geral, não formam súber típico, pois não têm crescimento secundário expressivo, e que o ritidoma, a casca mais externa que se desprende, não é súber jovem, mas camadas antigas acumuladas e mortas. Guarde também que a suberina é uma lipídio de parede, o que explica seu caráter hidrofóbico e a resistência à decomposição, e que a impermeabilidade do súber protege contra perda de água, variações térmicas e ataque de microrganismos, sendo um dos principais fatores que permitiram às plantas colonizar definitivamente o ambiente terrestre.

Colênquima

Tecido de sustentação formado por células vivas, com paredes desigualmente espessadas por celulose e pectina. É flexível, o que permite o crescimento — por isso predomina em órgãos jovens, pecíolos e caules herbáceos. São os "fios" do talo do aipo.

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O colênquima é um tecido simples, formado por um único tipo celular, cujas células parenquimáticas permanecem vivas mesmo na maturidade, com núcleo e vacúolo funcionais, o que o distingue do esclerênquima, que é morto na maturidade e tem paredes uniformemente espessadas por lignina. Essa combinação de vida celular com reforço de celulose explica por que o colênquima sustenta sem impedir o alongamento: ele é plástico o suficiente para acompanhar o crescimento do órgão jovem, mas resistente o bastante para contrabalançar a força de tração que tende a distender os tecidos.

Esclerênquima

Tecido de sustentação com células mortas na maturidade, de paredes uniformemente espessadas e impregnadas de lignina. É rígido e ocorre em órgãos que pararam de crescer. Dois tipos: fibras, alongadas — como as do linho e do sisal — e esclereídes, que dão a textura arenosa da pera.

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O esclerênquima é um tecido de sustentação que se diferencia a partir do meristema fundamental, o mesmo que origina o parênquima e o colênquima, mas com uma particularidade que o distingue desses dois: suas células depositam paredes secundárias espessas de forma generalizada e morrem por apoptose ao final da maturação, deixando apenas o arcabouço rígido impregnado de lignina. Essa lignina, um polímero fenólico que atravessa a celulose da parede, é o que confere impermeabilidade, resistência à compressão e à tração e, sobretudo, impede o colapso das células mortas quando a planta perde água — exatamente a situação em que o colênquima falharia, pois suas paredes celulósicas e hidratadas dependem da turgescência.

Por isso o esclerênquima aparece em regiões que já cessaram o alongamento: cascas de sementes, caules velhos, pecíolos, nervuras de folhas e o envoltório de frutos.

Assim, dominar o esclerênquima é entender como a planta troca células vivas e flexíveis por um esqueleto morto e lignificado quando o crescimento cessa, garantindo sustentação duradoura.

Xilema

Também chamado lenho: conduz a seiva bruta ou mineral — água e sais — da raiz às folhas, em fluxo unidirecional e ascendente. Formado por células mortas, os elementos de vaso e as traqueídes, com paredes lignificadas. É o principal componente da madeira.

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O xilema é um tecido complexo formado por vários tipos celulares, e não apenas pelos elementos condutores citados: além das traqueídes e dos elementos de vaso, há células parenquimáticas (que armazenam reservas e participam do transporte radial de água) e fibras (sustentação). Sua função não se limita à condução, pois também confere sustentação ao corpo vegetal graças à lignina depositada nas paredes. Nas gimnospermas, predominam traqueídes, mais alongadas e com pontuações areoladas, o que torna a condução menos eficiente que a das angiospermas, que possuem elementos de vaso com placas de perfuração nas extremidades, formando verdadeiros tubos contínuos.

Floema

Também chamado líber: conduz a seiva elaborada ou orgânica — produtos da fotossíntese — em fluxo bidirecional, das fontes aos drenos. Formado por células vivas e anucleadas, os elementos de tubo crivado, auxiliadas pelas células companheiras, que mantêm seu metabolismo.

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O floema é um tecido complexo, formado por vários tipos celulares além dos elementos de tubo crivado e das células companheiras já citados: há também células parenquimáticas (armazenamento e transporte lateral), fibras (sustentação) e células esclerenquimáticas, o que o torna um tecido misto, diferente do xilema, quase todo morto na maturidade. Os elementos de tubo crivado se dispõem em colunas, as paredes terminais perfuradas formam as placas crivadas, e cada elemento é acompanhado por uma ou mais células companheiras ligadas por plasmodesmas, que controlam a carga e a descarga de açúcares. O transporte segue a teoria do fluxo de pressão (Münch): nas fontes (folhas maduras) os açúcares entram ativamente nos tubos, a água penetra por osmose, a pressão hidrostática sobe e empurra o conteúdo para os drenos (raízes, frutos, sementes, tubérculos), onde a sacarose é retirada e a água sai, mantendo o gradiente.

Por isso o fluxo é bidirecional ao longo do tempo: na primavera, por exemplo, a raiz da beterraba ou da mandioca age como fonte, exportando reservas para os brotos em crescimento, invertendo o sentido que ocorrera no verão. A anelagem de um tronco (retirada do anel de casca com floema) interrompe esse caminho, acumulando açúcares acima do corte e matando as raízes por inanição — clássico experimento que comprova a função condutora do líber.

Parênquima

Tecido fundamental e mais abundante, de células vivas com paredes finas e grande capacidade de desdiferenciação — o que permite a regeneração e o enraizamento de estacas. Tipos: clorofiliano (paliçádico e lacunoso, na folha), de reserva, aerífero (aerênquima) e aquífero.

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O parênquima é o tecido que preenche a maior parte do corpo vegetal, funcionando como um "tecido de ligação" entre os demais, mas com funções metabólicas próprias: suas células mantêm a totipotência, ou seja, conservam a capacidade de se dividir e originar outros tipos celulares mesmo após a maturidade, algo raro em tecidos adultos e essencial para a regeneração de ferimentos, a formação de raízes adventícias em estacas e a cicatrização de enxertos. Essa plasticidade explica por que o parênquima é a base dos meristemas secundários e das culturas de tecido in vitro, muito usadas em biotecnologia vegetal.

Dominar o parênquima é, portanto, dominar a lógica dos tecidos vegetais e sua adaptação ao ambiente.