F1 · Aula 60

Genética de populações

Equilíbrio de Hardy-Weinberg

Estuda as frequências alélicas e genotípicas nas populações e sua variação ao longo das gerações. Uma população está em equilíbrio quando essas frequências permanecem constantes — o que significa que ela não está evoluindo.

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O princípio de Hardy-Weinberg, formulado em 1908 de forma independente pelo matemático inglês Godfrey Hardy e pelo médico alemão Wilhelm Weinberg, estabelece um modelo teórico que descreve o comportamento das frequências alélicas e genotípicas em uma população ideal, funcionando como uma espécie de "linha de base" contra a qual se comparam populações reais. Ele parte de duas relações centrais: se um loco gênico possui dois alelos, A e a, cujas frequências na população são representadas por p e q, então p + q = 1; e, na formação dos zigotos por cruzamentos ao acaso, as frequências genotípicas esperadas são dadas pela expansão do binômio (p + q)² = p² + 2pq + q² = 1, em que p² corresponde aos homozigotos AA, 2pq aos heterozigotos Aa e q² aos homozigotos aa.

Para que esse equilíbrio se mantenha geração após geração, a população precisa atender a cinco condições simultâneas: ser suficientemente grande para que o efeito da deriva genética seja desprezível, apresentar cruzamentos totalmente ao acaso (panmixia), estar livre de mutações, não sofrer migração e não estar submetida à seleção natural. Como nenhuma população natural satisfaz plenamente todas essas exigências, o valor do modelo está justamente em servir de referência: qualquer desvio significativo entre as frequências observadas e as esperadas sinaliza que algum fator evolutivo está atuando.

Teorema de Hardy-Weinberg

Sendo $p$ e $q$ as frequências dos alelos, com $p+q=1$, as frequências genotípicas são $p^{2}+2pq+q^{2}=1$. Cinco condições: população grande, panmixia (cruzamentos ao acaso), ausência de mutação, de migração e de seleção natural. É um modelo ideal: seu valor está justamente em servir de referência — o desvio observado revela que fatores evolutivos estão atuando.

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O teorema de Hardy-Weinberg, formulado em 1908 de modo independente pelo matemático britânico Godfrey Hardy e pelo médico alemão Wilhelm Weinberg, representa o modelo nulo da genética de populações: ele descreve o que aconteceria com as frequências alélicas e genotípicas caso nenhuma força evolutiva atuasse sobre a população.

Vale notar que as frequências alélicas não mudam de uma geração para outra sob o modelo, mas as frequências genotípicas se estabilizam já na primeira geração de cruzamentos ao acaso — desde que a população seja grande o bastante e não haja migração, mutação ou seleção.

Há ainda questões que pedem o raciocínio de que, em populações pequenas, desvios das proporções esperadas podem resultar apenas do acaso amostral, e não necessariamente da ação de fatores evolutivos, o que exige do candidato distinguir flutuação aleatória de mudança evolutiva direcional.

Exercício resolvido

Método: parta sempre da frequência do homozigoto recessivo, o único fenótipo que identifica o genótipo com certeza. Se 1 em 10 000 é aa, então $q^{2}=0{,}0001$, $q=0{,}01$ e $p=0{,}99$. Os heterozigotos são $2pq\approx 0{,}0198$, ou cerca de 2% — quase 200 vezes mais frequentes que os afetados.

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Essa lógica é a aplicação direta do princípio de Hardy-Weinberg, que descreve populações ideais — grandes, panmíticas, sem seleção, migração, mutação nem deriva — nas quais as frequências alélicas permanecem constantes entre gerações e os genótipos se distribuem conforme $p^{2}+2pq+q^{2}=1$.

O ponto central é que, embora nem sempre se saiba quem é $Aa$, o genótipo $aa$ se manifesta sempre no fenótipo, tornando-se a porta de entrada do cálculo: calcula-se $q^{2}$ pela proporção observada de afetados, extrai-se $q$ e chega-se a $p=1-q$.

Vale notar ainda que, em casos de herança ligada ao X, o raciocínio muda, pois nos homens basta um alelo recessivo para manifestar a doença, de modo que a frequência de afetados do sexo masculino já equivale a $q$, e não a $q^{2}$.

Dominar essa relação é, portanto, essencial para resolver tanto itens diretos de cálculo quanto questões conceituais sobre por que alelos recessivos deletérios não desaparecem de uma população.