F2 · Aulas 45–46

Tecidos meristemáticos

Organização do corpo da planta

Divide-se em sistema radicular e sistema caulinar (caule, folhas, flores e frutos). Os tecidos classificam-se em meristemáticos, formados por células indiferenciadas com alta capacidade de divisão, e adultos ou permanentes, já diferenciados e especializados.

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A organização do corpo da planta se dá a partir de dois sistemas que trabalham de forma integrada: enquanto o sistema radicular fixa o vegetal ao substrato e absorve água e sais minerais, o sistema caulinar conduz essas substâncias e sustenta as folhas, que realizam a fotossíntese. O que garante o crescimento contínuo e a formação de novos órgãos nesses sistemas são justamente os meristemas, tecidos que permanecem indiferenciados e ativos por toda a vida do vegetal, diferentemente do que ocorre com os animais, cujo crescimento geralmente cessa na fase adulta. Os meristemas se dividem em apicais, localizados nas pontas de raízes e caules e responsáveis pelo crescimento em comprimento, e laterais (como o câmbio vascular e o felogênio), que promovem o crescimento em espessura.

Há ainda os meristemas intercalares, presentes em regiões como a base dos entrenós de gramíneas, permitindo o alongamento do caule após o corte.

Tecidos meristemáticos

Responsáveis pelo crescimento da planta ao longo de toda a vida. Suas células são pequenas, com parede fina, núcleo grande, citoplasma denso e sem vacúolos grandes. Dividem-se em primários, que promovem o crescimento em comprimento, e secundários, em espessura.

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A chave para entender os meristemas é enxergá-los não como um tecido pronto, mas como uma região de células-tronco vegetais que nunca param de se dividir: são células indiferenciadas, com alta taxa mitótica, que funcionam como fonte permanente de novas células para os demais tecidos. Por isso todo meristema é, ao mesmo tempo, produtor de si mesmo (uma parte das células-filhas permanece indiferenciada, garantindo que a região não se esgote) e produtor de tecido adulto (a outra parte se diferencia em parênquima, colênquima, xilema, floema etc.). Esse equilíbrio entre autoperpetuação e diferenciação explica por que uma árvore pode crescer por décadas sem esgotar seus pontos de crescimento.

Quanto à posição, os meristemas podem ser apicais (na ponta de raiz e caule — o ápice radicular fica protegido pela coifa e o caulinar pelas folhas jovens), laterais (o câmbio vascular e o felogênio, cilindros que correm ao longo do órgão) e intercalares (faixas remanescentes de meristema presas entre tecidos já maduros, típicas de caules com entrenós bem definidos). Já pela origem, distinguem-se os primários (derivados do embrião, responsáveis pelo crescimento em comprimento e presentes também em monocotiledôneas) e os secundários (surgem depois, a partir de tecidos já diferenciados que rejuvenescem — caso do câmbio, formado por células do procâmbio que retomam a divisão).

Essa diferença tem consequência prática enorme. Compare o eucalipto e o bambu: o eucalipto é dicotiledônea lenhosa e mantém meristemas secundários ativos, então o câmbio deposita anéis de xilema ano após ano e forma tronco espesso, com madeira e casca resistentes. O bambu é monocotiledônea: não possui câmbio vascular nem felogênio funcionais, cresce em altura muito rápido pelos meristemas apicais e intercalares, mas seu colmo permanece fino e sem crescimento em espessura significativo — o que explica por que ele é leve, oco e tão usado em construção.

Terceiro, e aqui mora a pegadinha mais comum, quando a prova afirma que "o crescimento em espessura resulta da atividade do meristema primário": está errado, pois só o meristema secundário (câmbio e felogênio) promove espessamento, enquanto o primário responde pelo alongamento, de modo que monocotiledôneas como o bambu, mesmo crescendo muito em altura, não engrossam o caule e permanecem finas por toda a vida.

Meristemas apicais

Primários, situados nos ápices da raiz e do caule. Promovem o crescimento em comprimento. Originam três meristemas primários: protoderme (dá a epiderme), meristema fundamental (parênquimas e tecidos de sustentação) e procâmbio (xilema e floema primários).

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Os meristemas apicais são tecidos embrionários que se mantêm indefinidamente jovens, capazes de divisões mitóticas contínuas, e ficam protegidos nas extremidades do corpo vegetal: na raiz, recobertos pela coifa (ou caliptra), e no caule, envolvidos por escamas ou primórdios foliares. Não basta dizer que crescem em comprimento: eles constituem regiões de zona de divisão, acima da qual há a zona de alongamento e, depois, a zona de diferenciação, de modo que o crescimento longitudinal resulta tanto da produção de novas células quanto da expansão e especialização delas ao longo do eixo.

Meristemas laterais

Secundários, dispostos em cilindros ao longo do eixo, promovem o crescimento em espessura. São dois: o câmbio vascular, que produz xilema secundário para dentro e floema secundário para fora, e o felogênio, que forma o súber. Praticamente ausentes nas monocotiledôneas.

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Os meristemas laterais são tecidos embrionários remanescentes que retomam a atividade mitótica tardiamente, após o crescimento primário já ter Alongado caules e raízes. Enquanto o meristema apical promove o crescimento em extensão, os laterais atuam em espessura, num processo chamado crescimento secundário, típico de plantas lenhosas como o eucalipto e o ipê. Nesses vegetais, o câmbio vascular forma um anel contínuo que deposita xilema secundário (lenho) para o interior e floema secundário (casca condutora) para o exterior; como o xilema se acumula ano após ano, surgem os anéis de crescimento, cuja contagem permite estimar a idade da árvore — muito cobrado em questões que relacionam clima e espessura dos anéis.

Já o felogênio, mais externo, produz súber (cortiça) para fora e feloderme para dentro, formando o periderme, que substitui a epiderme e protege contra perda de água e patógenos. Ganha notoriedade o súber da corticeira (Quercus suber), explorado comercialmente. As monocotiledôneas, como o milho e a cana, quase não têm meristemas laterais, por isso não engrossam o caule nem formam anéis — só crescem em altura ou em diâmetro por espessamento primário irregular.

Anéis de crescimento

Faixas concêntricas no tronco, formadas pela atividade sazonal do câmbio: no período favorável produz-se lenho claro, com células grandes; no desfavorável, lenho escuro e denso. Contar os anéis permite estimar a idade da árvore e reconstituir o clima do passado — a dendrocronologia. São pouco definidos em florestas tropicais.

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Os anéis de crescimento existem porque o câmbio vascular — o meristema lateral que produz floema para fora e xilema para dentro — não trabalha de forma uniforme ao longo do ano. Em regiões de clima temperado, cada estação impõe um ritmo distinto: na primavera, com água e temperatura abundantes, o câmbio gera vasos xilemáticos de lúmen amplo e parede delgada, formando o chamado lenho inicial (ou primaveril), de cor clara e baixa densidade, eficiente no transporte de água; no fim do verão e no outono, a atividade diminui e as células produzidas são estreitas, de parede espessa e ricas em lignina, o lenho tardio (ou outonal), escuro e denso, que confere sustentação.

O contraste entre esses dois lenhos no mesmo ano desenha um anel, e a retomada do crescimento na primavera seguinte cria uma linha divisória nítida — daí a leitura anual.