Determinação cromossômica do sexo
Além dos autossomos, existem os cromossomos sexuais, cuja combinação define o sexo. Há vários sistemas na natureza; em alguns grupos, porém, o sexo é determinado por fatores ambientais, como a temperatura de incubação em tartarugas e jacarés.
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Os cromossomos sexuais carregam, além dos genes que definem o sexo, uma região de pareamento chamada pseudoautossômica, onde ocorre recombinação entre o X e o Y. Nos mamíferos, o sistema é do tipo XX/XY: a fêmea é homogamética (XX) e o macho heterogamético (XY), e o gatilho do desenvolvimento testicular é o gene SRY, localizado no braço curto do Y — quando há falha nesse gene, forma-se uma gônada indiferenciada que segue a via ovariana por padrão, o que é ilustrado pelas síndromes de Turner (X0) e Klinefelter (XXY). Já nas aves e em algumas borboletas o sistema é ZZ/ZW, com macho homogamético e fêmea heterogamética; em gafanhotos, o sistema é XX/X0, sem cromossomo Y; e em abelhas e formigas há haplodiploidia, em que machos surgem de ovos não fecundados (n) e fêmeas de ovos fecundados (2n).
Como exemplo concreto, a determinação em tartarugas e jacarés depende da temperatura de incubação dos ovos: acima de certo limiar predominam fêmeas, abaixo predominam machos, mostrando que o sexo não é necessariamente genético.
Sistema XY
O mais comum em mamíferos e em muitos insetos: XX na fêmea (homogamética) e XY no macho (heterogamético). É o espermatozoide que determina o sexo do descendente. No ser humano, o gene SRY, no Y, dispara a diferenciação masculina.
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No sistema XY, o par de cromossomos sexuais é heteromórfico: o X é grande e carrega centenas de genes essenciais à vida, enquanto o Y é pequeno, muito pobre em genes e guarda apenas os chamados genes holândricos, quase todos ligados à função testicular. Essa assimetria explica por que a monossomia de X (síndrome de Turner) é viável, mas a ausência total de um X é letal. O ponto-chave que as provas adoram cobrar é que o sexo não é decidido pelo número de cromossomos X, e sim pela presença ou ausência do Y: indivíduos com cariótipo 47,XXY (síndrome de Klinefelter) são masculinos, e indivíduos 45,X0 são femininos, o que mostra que o Y é o fator determinante, não a contagem de X.
Vale lembrar ainda que o SRY, ao disparar a cascata que forma os testículos, faz o restante da diferenciação masculina depender de testosterona e do hormônio antimülleriano, de modo que falhas nesses passos produzem intersexualidades, tema cada vez mais presente em questões interpretativas.
Sistema X0
Ocorre em alguns insetos, como gafanhotos e percevejos: a fêmea é XX e o macho tem um único cromossomo sexual, X0 — não existe cromossomo Y. O macho continua sendo o sexo heterogamético, produzindo gametas com X ou sem cromossomo sexual.
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No sistema X0, o que define o sexo não é a presença de um cromossomo Y, mas a dosagem de cromossomos X: fêmeas têm dois X e machos têm apenas um. Isso muda a forma como a meiose precisa resolver o problema da segregação. Na fêmea XX, os dois X formam um par homólogo normal, pareiam na prófase I e se separam na anáfase I, de modo que todos os óvulos recebem um X. No macho X0, existe um X solitário: na prófase I ele não tem par com quem parear, mas ainda assim se organiza no fuso e migra para um dos polos na anáfase I; na meiose II, as cromátides-irmãs se separam normalmente. O resultado é que metade dos espermatozoides carrega o X e a outra metade não carrega cromossomo sexual algum — por isso o macho é o sexo heterogamético, e a proporção sexual na descendência tende a 1:1.
Sistema ZW
Ocorre em aves, borboletas, alguns répteis e peixes. Aqui a situação se inverte: o macho é ZZ, homogamético, e a fêmea é ZW, heterogamética — é ela que determina o sexo da prole. Os cromossomos recebem letras diferentes para evitar confusão com o sistema XY.
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No sistema ZW, a determinação do sexo depende do tipo de gameta produzido pela fêmea: como ela é ZW, após a meiose forma óvulos com Z ou com W, enquanto o macho ZZ produz apenas espermatozoides com Z. Assim, o sexo da prole é definido pelo óvulo, e não pelo espermatozoide, ao contrário do que ocorre no sistema XY — detalhe que já derruba muitos candidatos em prova.
Sistema haplodiploide (n/2n)
Ocorre em himenópteros — abelhas, formigas e vespas. As fêmeas (rainha e operárias) são diploides, originadas de ovos fecundados; os machos (zangões) são haploides, nascidos de óvulos não fecundados por partenogênese. Os zangões produzem gametas por mitose.
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No sistema haplodiploide, o sexo não é definido pela presença de cromossomos sexuais heteromórficos como X e Y, mas pelo número de conjuntos cromossômicos: indivíduos diploides (2n) desenvolvem-se em fêmeas e haploides (n) em machos, de modo que o próprio grau de ploidia funciona como o "gatilho" do desenvolvimento sexual. O ponto-chave é que a determinação ocorre no momento da fecundação: um óvulo fecundado por um espermatozoide gera zigoto 2n, enquanto um óvulo que não recebe espermatozoide desenvolve-se por partenogênese e origina um macho n. Isso tem consequências genéticas profundas. Como o zangão possui apenas um conjunto de cromossomos, ele não tem par de homólogos para cada gene, ou seja, é hemizigótico — qualquer alelo que ele carregue se expressa fenotipicamente, o que aumenta a eficácia da seleção sobre genes deletérios e explica por que machos haploides costumam ser mais vulneráveis a certas doenças genéticas.
Na meiose, o zangão não pode parear cromossomos homólogos, então sua produção de gametas ocorre por mitose, gerando espermatozoides geneticamente idênticos entre si e ao próprio macho. Já as fêmeas, diploides, fazem meiose normal e produzem óvulos com recombinação gênica.