F1 · Aulas 53–56

Herança relacionada ao sexo

Determinação cromossômica do sexo

Além dos autossomos, existem os cromossomos sexuais, cuja combinação define o sexo. Há vários sistemas na natureza; em alguns grupos, porém, o sexo é determinado por fatores ambientais, como a temperatura de incubação em tartarugas e jacarés.

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Os cromossomos sexuais carregam, além dos genes que definem o sexo, uma região de pareamento chamada pseudoautossômica, onde ocorre recombinação entre o X e o Y. Nos mamíferos, o sistema é do tipo XX/XY: a fêmea é homogamética (XX) e o macho heterogamético (XY), e o gatilho do desenvolvimento testicular é o gene SRY, localizado no braço curto do Y — quando há falha nesse gene, forma-se uma gônada indiferenciada que segue a via ovariana por padrão, o que é ilustrado pelas síndromes de Turner (X0) e Klinefelter (XXY). Já nas aves e em algumas borboletas o sistema é ZZ/ZW, com macho homogamético e fêmea heterogamética; em gafanhotos, o sistema é XX/X0, sem cromossomo Y; e em abelhas e formigas há haplodiploidia, em que machos surgem de ovos não fecundados (n) e fêmeas de ovos fecundados (2n).

Como exemplo concreto, a determinação em tartarugas e jacarés depende da temperatura de incubação dos ovos: acima de certo limiar predominam fêmeas, abaixo predominam machos, mostrando que o sexo não é necessariamente genético.

Sistema XY

O mais comum em mamíferos e em muitos insetos: XX na fêmea (homogamética) e XY no macho (heterogamético). É o espermatozoide que determina o sexo do descendente. No ser humano, o gene SRY, no Y, dispara a diferenciação masculina.

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No sistema XY, o par de cromossomos sexuais é heteromórfico: o X é grande e carrega centenas de genes essenciais à vida, enquanto o Y é pequeno, muito pobre em genes e guarda apenas os chamados genes holândricos, quase todos ligados à função testicular. Essa assimetria explica por que a monossomia de X (síndrome de Turner) é viável, mas a ausência total de um X é letal. O ponto-chave que as provas adoram cobrar é que o sexo não é decidido pelo número de cromossomos X, e sim pela presença ou ausência do Y: indivíduos com cariótipo 47,XXY (síndrome de Klinefelter) são masculinos, e indivíduos 45,X0 são femininos, o que mostra que o Y é o fator determinante, não a contagem de X.

Vale lembrar ainda que o SRY, ao disparar a cascata que forma os testículos, faz o restante da diferenciação masculina depender de testosterona e do hormônio antimülleriano, de modo que falhas nesses passos produzem intersexualidades, tema cada vez mais presente em questões interpretativas.

Sistema X0

Ocorre em alguns insetos, como gafanhotos e percevejos: a fêmea é XX e o macho tem um único cromossomo sexual, X0 — não existe cromossomo Y. O macho continua sendo o sexo heterogamético, produzindo gametas com X ou sem cromossomo sexual.

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No sistema X0, o que define o sexo não é a presença de um cromossomo Y, mas a dosagem de cromossomos X: fêmeas têm dois X e machos têm apenas um. Isso muda a forma como a meiose precisa resolver o problema da segregação. Na fêmea XX, os dois X formam um par homólogo normal, pareiam na prófase I e se separam na anáfase I, de modo que todos os óvulos recebem um X. No macho X0, existe um X solitário: na prófase I ele não tem par com quem parear, mas ainda assim se organiza no fuso e migra para um dos polos na anáfase I; na meiose II, as cromátides-irmãs se separam normalmente. O resultado é que metade dos espermatozoides carrega o X e a outra metade não carrega cromossomo sexual algum — por isso o macho é o sexo heterogamético, e a proporção sexual na descendência tende a 1:1.

Sistema ZW

Ocorre em aves, borboletas, alguns répteis e peixes. Aqui a situação se inverte: o macho é ZZ, homogamético, e a fêmea é ZW, heterogamética — é ela que determina o sexo da prole. Os cromossomos recebem letras diferentes para evitar confusão com o sistema XY.

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No sistema ZW, a determinação do sexo depende do tipo de gameta produzido pela fêmea: como ela é ZW, após a meiose forma óvulos com Z ou com W, enquanto o macho ZZ produz apenas espermatozoides com Z. Assim, o sexo da prole é definido pelo óvulo, e não pelo espermatozoide, ao contrário do que ocorre no sistema XY — detalhe que já derruba muitos candidatos em prova.

Sistema haplodiploide (n/2n)

Ocorre em himenópteros — abelhas, formigas e vespas. As fêmeas (rainha e operárias) são diploides, originadas de ovos fecundados; os machos (zangões) são haploides, nascidos de óvulos não fecundados por partenogênese. Os zangões produzem gametas por mitose.

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No sistema haplodiploide, o sexo não é definido pela presença de cromossomos sexuais heteromórficos como X e Y, mas pelo número de conjuntos cromossômicos: indivíduos diploides (2n) desenvolvem-se em fêmeas e haploides (n) em machos, de modo que o próprio grau de ploidia funciona como o "gatilho" do desenvolvimento sexual. O ponto-chave é que a determinação ocorre no momento da fecundação: um óvulo fecundado por um espermatozoide gera zigoto 2n, enquanto um óvulo que não recebe espermatozoide desenvolve-se por partenogênese e origina um macho n. Isso tem consequências genéticas profundas. Como o zangão possui apenas um conjunto de cromossomos, ele não tem par de homólogos para cada gene, ou seja, é hemizigótico — qualquer alelo que ele carregue se expressa fenotipicamente, o que aumenta a eficácia da seleção sobre genes deletérios e explica por que machos haploides costumam ser mais vulneráveis a certas doenças genéticas.

Na meiose, o zangão não pode parear cromossomos homólogos, então sua produção de gametas ocorre por mitose, gerando espermatozoides geneticamente idênticos entre si e ao próprio macho. Já as fêmeas, diploides, fazem meiose normal e produzem óvulos com recombinação gênica.

Herança ligada ao cromossomo X

Genes presentes na porção do X sem correspondente no Y. Os homens são hemizigotos: têm um único alelo e expressam-no sempre, mesmo recessivo. Daí serem muito mais afetados por doenças recessivas ligadas ao X.

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A herança ligada ao X decorre de os genes estarem em regiões do cromossomo X sem homólogo funcional no Y, o que faz a segregação desses alelos ocorrer junto com a determinação do sexo. Por isso, o padrão de transmissão é assimétrico entre homens e mulheres: como o pai transmite o Y a todos os filhos homens e o X a todas as filhas, um homem nunca passa um alelo ligado ao X para o filho varão — o gene só chega ao filho pela mãe. Já a mãe pode doar seu X tanto a filhos quanto a filhas, de modo que as mulheres, com dois X, podem ser homozigotas ou heterozigotas e, neste último caso, portadoras saudáveis de alelos recessivos.

Casos recessivos

Padrão característico: predominam em homens; a mulher afetada precisa ser homozigota; e o homem afetado herda o alelo da mãe, nunca do pai. Mulheres heterozigotas são portadoras e transmitem a metade dos filhos homens.

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A base molecular desse padrão está na hemizigose masculina: como o homem possui apenas um cromossomo X, basta um único alelo recessivo para manifestar a doença, enquanto a mulher precisa de dois alelos mutados, um em cada X, para ser afetada. Isso explica por que a frequência de homens afetados é muito maior e por que a condição "salta" gerações quando passa por mulheres portadoras assintomáticas.

Vale lembrar que, nas células somáticas femininas, um dos X sofre inativação (formação do corpúsculo de Barr), mas esse mecanismo é aleatório e não impede que uma portadora heterozigota transmita o alelo mutado a 50% dos filhos. O exemplo clássico é o daltonismo, cujo gene fica no X: um menino daltônico recebe o alelo sempre da mãe portadora, pois do pai herda obrigatoriamente o cromossomo Y — daí a regra de que "o pai nunca transmite o caráter ao filho homem".

Outro caso é a hemofilia A (deficiência do fator VIII), em que filhos homens de mães portadoras têm 50% de chance de serem afetados, enquanto filhas só serão afetadas se o pai também for hemofílico — combinação rara, mas possível. Já a distrofia muscular de Duchenne ilustra bem a gravidade: meninos afetados geralmente não deixam descendentes, o que mantém o alelo em circulação apenas pelas portadoras. É importante contrastar com a herança holândrica (genes do cromossomo Y, transmitidos exclusivamente de pai para filho, como a hipertricose auricular), para deixar claro que nem todo caráter "ligado ao sexo" segue o padrão recessivo do X.

Daltonismo

Dificuldade em distinguir cores, sobretudo vermelho e verde, por alteração nos cones da retina. Herança recessiva ligada ao X: atinge cerca de 8% dos homens e menos de 1% das mulheres. Diagnostica-se pelas placas de Ishihara.

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O daltonismo clássico resulta de mutações no gene OPN1LW ou OPN1MW, localizados no braço longo do cromossomo X (Xq28), que codificam as opsinas dos cones sensíveis ao vermelho e ao verde; por isso o nome técnico é deuteranomalia (verde) ou protanomalia (vermelho), e a forma completa, deuteranopia ou protanopia. Como o homem possui apenas um X, basta herdar o alelo mutado da mãe para manifestar a doença — ele é hemizigótico. Já a mulher precisa receber o alelo mutado do pai e da mãe para ser afetada; se tiver apenas um, será portadora assintomática e poderá transmitir a condição a 50% dos filhos homens.

Hemofilia

Deficiência de fatores de coagulação — VIII na hemofilia A, IX na B —, com sangramentos prolongados e hemorragias em articulações. Herança recessiva ligada ao X. Ficou conhecida como "doença dos czares" por sua presença nas famílias reais europeias, descendentes da rainha Vitória.

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A hemofilia é o exemplo clássico de herança recessiva ligada ao X, e a chave para entendê-la é o fato de o gene envolvido estar no cromossomo X sem correspondente no Y, o que faz os homens expressarem a doença com uma única cópia do alelo mutado, enquanto as mulheres só adoecem se herdarem o alelo mutado dos dois lados. Isso explica por que os homens são muito mais afetados, e as mulheres costumam ser apenas portadoras — fenotipicamente normais, mas capazes de transmitir o alelo a metade dos filhos homens, que terão a doença, e a metade das filhas, que serão portadoras. Como o pai doa o X às filhas e o Y aos filhos, o padrão de transmissão fica claro: um homem afetado nunca transmite o alelo aos filhos homens, mas passa o X alterado a todas as filhas, que serão portadoras obrigatórias.

Vale lembrar ainda que a hemofilia pode surgir por mutação nova, sem histórico familiar, e que, embora o tratamento atual permita vida praticamente normal, a herança permanece o foco conceitual da maioria das questões.

Casos dominantes

Bem mais raros. Padrão: atingem mais mulheres que homens; o pai afetado transmite a característica a todas as filhas e a nenhum filho homem — pois estes recebem dele apenas o Y. Não há portadores assintomáticos.

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A herança dominante ligada ao X se explica pelo fato de o alelo mutante, mesmo em dose única, já se manifestar: como as mulheres têm dois cromossomos X, basta um alelo alterado para o fenótipo aparecer, enquanto os homens, hemizigotos, possuem apenas um X, de modo que o alelo presente nele é automaticamente expresso — não existe, portanto, alelo normal no outro cromossomo sexual que possa mascarar o efeito. Isso cria um padrão peculiar nos heredogramas: uma mulher afetada heterozigota transmite o alelo defeituoso a metade de seus filhos de qualquer sexo, ao passo que um homem afetado só pode passar o X alterado às filhas, jamais aos filhos, que herdam dele o Y; logo, todo filho homem de pai afetado e mãe não afetada é obrigatoriamente normal.

Caso clássico bastante cobrado é a raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D (ou hipofosfatemia ligada ao X), em que mutações no gene PHEX causam perda renal de fosfato e deformidades ósseas; como o pai afetado transmite a doença a toda a prole feminina, esse é o "exemplo perfeito" da regra. É importante distinguir esse caso da síndrome de Rett, que, embora ligada ao X e dominante, costuma ser letal em meninos hemizigotos e surge quase sempre por mutação nova no alelo paterno, sendo pouco didática para mostrar transmissão paterna a filhas; por isso, nas provas, Rett aparece mais ligada à inativação do X e letalidade em homens, e não como modelo de dominante ligada ao X clássica.

Hipofosfatemia

Também chamada raquitismo resistente à vitamina D: há perda excessiva de fosfato pelos rins, com deformidades ósseas e baixa estatura. É o exemplo clássico de herança dominante ligada ao X, com o padrão de transmissão pai-filhas descrito acima.

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A hipofosfatemia é causada, na maioria dos casos, por mutações no gene PHEX (localizado no braço curto do cromossomo X), que codifica uma enzima responsável por degradar o FGF23, um hormônio produzido pelos osteócitos que inibe a reabsorção de fosfato nos túbulos proximais renais e reduz a ativação da vitamina D. Com a enzima defeituosa, o FGF23 acumula-se em excesso, levando à perda urinária de fosfato e à falha na mineralização óssea, o que explica as deformidades como genu varum e rosário raquítico, além da baixa estatura. Como a herança é dominante ligada ao X, um único alelo mutado já manifesta a doença: homens afetados transmitem o gene a todas as filhas (que serão afetadas, pois herdam o X paterno mutado) e a nenhum filho (que recebe o Y paterno); mulheres afetadas, por sua vez, têm 50% de chance de transmitir o alelo a filhos de ambos os sexos, mas as mulheres heterozigotas costumam ter quadro clínico mais leve que os homens hemizigotos, devido à inativação aleatória do X.

Herança ligada ao cromossomo Y

Também dita holândrica. Os genes situados na porção exclusiva do Y passam apenas de pai para filho, atingindo somente homens, em todas as gerações. São poucos genes, ligados sobretudo à determinação do sexo e à espermatogênese — a hipertricose auricular é o exemplo tradicional, hoje contestado.

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A herança ligada ao Y, ou holândrica, decorre do fato de o cromossomo Y apresentar uma região pseudoautossômica, que recombina com o X na meiose, e uma região exclusiva, não recombinante, onde ficam os genes transmitidos exclusivamente pela linhagem paterna. Como o pai passa o Y a todos os filhos homens e nunca às filhas, e a mãe não possui esse cromossomo, o padrão é inconfundível: o caráter salta de pai para filho indefinidamente, sem jamais aparecer em mulheres nem "pular" gerações, diferente do que ocorre na herança ligada ao X, que afeta preferencialmente homens, mas chega por via materna. O exemplo clássico é a hipertricose auricular, com pelos longos nas orelhas, descrita na Índia e hoje atribuída provavelmente a herança autossômica de expressão limitada ao sexo masculino; outro exemplo mais aceito é o gene SRY, responsável pela determinação testicular e, portanto, pelo sexo masculino.

Herança influenciada pelo sexo

O gene está em autossomos, mas sua expressão depende do ambiente hormonal: o mesmo genótipo produz fenótipos diferentes em homens e mulheres. Exemplo clássico: a calvície, dominante em homens e recessiva em mulheres — o heterozigoto é calvo apenas se for homem.

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Diferentemente da herança ligada ao sexo, em que o gene está nos cromossomos X ou Y, na herança influenciada pelo sexo o gene envolvido é autossômico, mas a ação hormonal do indivíduo modula sua expressão, fazendo com que o mesmo genótipo gere fenótipos distintos conforme o sexo. Isso ocorre porque os hormônios sexuais (testosterona e estrogênio) atuam como reguladores da transcrição gênica, ativando ou silenciando o alelo em tecidos como o folículo piloso, e por isso falamos em expressividade influenciada pelo ambiente interno, não em herança propriamente dita. O caso clássico é a calvície androgênica: o alelo C se comporta como dominante no homem e recessivo na mulher, de modo que um homem CC ou Cc é calvo, enquanto a mulher só é calva se for CC; mulheres Cc têm cabelo normal.

Herança mitocondrial

Genes do DNA mitocondrial, transmitidos exclusivamente pela mãe, já que as mitocôndrias do espermatozoide não entram no zigoto. Atinge homens e mulheres igualmente, mas só as mulheres transmitem. Causa doenças neuromusculares e permite rastrear linhagens maternas.

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A herança mitocondrial é um caso de herança extranuclear ou citoplasmática, pois os genes envolvidos não estão nos cromossomos do núcleo, e sim no pequeno genoma circular da mitocôndria, com cerca de 37 genes, que codificam proteínas da cadeia respiratória e RNA transportadores e ribossômicos. Como cada célula contém muitas mitocôndrias e cada uma várias cópias desse DNA, trata-se de um genoma policromossômico e sujeito a heteroplasmia, ou seja, a coexistência de mitocôndrias normais e mutadas numa mesma célula ou indivíduo. Isso explica um fenômeno típico: a segregação replicativa, em que, durante as divisões celulares, a proporção de mitocôndrias mutadas pode variar entre tecidos e ao longo da vida, gerando expressividade variável e início tardio dos sintomas.

Cromatina sexual

Também chamada corpúsculo de Barr: um dos cromossomos X é inativado ao acaso em cada célula das fêmeas — a hipótese de Lyon —, condensando-se. O número de corpúsculos é sempre n − 1, sendo n o total de X. Explica o mosaicismo da pelagem das gatas de três cores, sempre fêmeas.

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A cromatina sexual revela um mecanismo de compensação de dose indispensável à sobrevivência: sem ele, fêmeas humanas (XX) produziriam o dobro das proteínas codificadas pelo X em relação aos machos (XY), e esse desequilíbrio seria letal já no início do desenvolvimento embrionário. Na hipótese de Lyon, proposta por Mary Lyon em 1961, a inativação ocorre por volta do 16º dia de gestação, é aleatória quanto à origem parental do X (paterno ou materno), mas fixa e clonal — uma vez inativado um X numa célula, todas as suas descendentes manterão o mesmo X silenciado. O silenciamento envolve o gene XIST, que produz um RNA não codificante que "reveste" o cromossomo X e recruta proteínas de compactação, transformando-o em heterocromatina facultativa, visível ao microscópio óptico como o corpúsculo de Barr na periferia do núcleo interfásico.