Alelos letais
Alelos que provocam a morte do portador, em geral em homozigose. O clássico é o camundongo amarelo: $\mathrm{A^{Y}}$ é dominante para a cor e recessivo para a letalidade, de modo que $\mathrm{A^{Y}A^{Y}}$ morre. O cruzamento entre dois amarelos dá 2 amarelos : 1 aguti, e não 3:1.
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Os alelos letais são uma exceção clássica à proporção 3:1 da primeira lei de Mendel porque a viabilidade do genótipo deixa de ser uniforme: certas combinações alélicas inviabilizam o desenvolvimento, distorcendo a proporção fenotípica esperada na descendência. O ponto-chave é distinguir os dois efeitos de um mesmo alelo — um fenotípico (cor, forma, tamanho) e outro letais (sobrevivência) —, fenômeno chamado de pleiotropia. No camundongo amarelo, o alelo $\mathrm{A^{Y}}$, além de determinar pelagem amarela, causa morte em homozigose; como os embriões $\mathrm{A^{Y}A^{Y}}$ morrem antes do nascimento, dos zigotos formados apenas os $\mathrm{A^{Y}A}$ (amarelos) e $\mathrm{AA}$ (aguti) sobrevivem, gerando 2:1.
Outro caso é a anemia falciforme: o alelo $\mathrm{Hb^{S}}$ em homozigose provoca falcização grave e alta mortalidade antes da reprodução em ambientes sem tratamento, enquanto o heterozigoto tem traço falciforme e vantagem contra malária — exemplo de heterozigoto vantajoso. Já em doenças de herança dominante de manifestação tardia, como a doença de Huntington, o alelo letal não impede a reprodução, pois os sintomas surgem após a idade fértil, o que explica a persistência do alelo na população.
As provas costumam cobrar: (1) cálculo de proporções em cruzamentos com letais, exigindo perceber que a morte altera o denominador; (2) interpretação de heredogramas em que certos genótipos nunca aparecem; (3) relação com pleiotropia, penetrância e expressividade; e (4) comparação com a proporção mendeliana clássica, sempre lembrando que a primeira lei continua válida — o que muda é apenas a sobrevivência diferencial dos genótipos, de modo que a segregação dos alelos permanece 1:2:1, mas o fenótipo observado na prole viável aparece como 2:1, e essa distinção entre proporção genotípica e fenotípica é justamente o que separa o aluno que decorou do aluno que compreendeu o mecanismo.