Sistema genital masculino
Formado pelas gônadas (testículos), pelos ductos condutores, pelas glândulas anexas e pelo pênis. Suas funções são produzir espermatozoides e testosterona e depositar o sêmen no sistema genital feminino.
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Os testículos são formados por cerca de 250 lóbulos, cada um contendo de um a quatro túbulos seminíferos, onde ocorre a espermatogênese sob controle hormonal hipofisário: o LH estimula as células de Leydig a produzir testosterona, enquanto o FSH atua sobre as células de Sertoli, que nutrem e sustentam as células germinativas em maturação. Os espermatozoides recém-formados são ainda imaturos e adquirem motilidade ao atravessar o epidídimo, ducto único e muito enovelado onde também ocorre armazenamento; em seguida, o ducto deferente os conduz até a uretra, recebendo pelo caminho secreções das vesículas seminais (frutose, que nutre o gameta, e prostaglandinas) e da próstata (líquido alcalino que neutraliza a acidez vaginal), formando o sêmen — as glândulas bulbouretrais ainda lançam um muco lubrificante antes da ejaculação.
Vale lembrar que o testículo fica fora da cavidade abdominal dentro do escroto, mantendo temperatura cerca de 2 °C abaixo da corporal, condição essencial para a espermatogênese; é por isso que a criptorquidia (testículo não descido) leva à infertilidade.
Testículos
Alojados no escroto, fora da cavidade abdominal, pois a espermatogênese exige temperatura cerca de 2 °C abaixo da corporal. Nos túbulos seminíferos ocorre a produção dos espermatozoides; nas células intersticiais de Leydig, a da testosterona. As células de Sertoli nutrem os gametas em formação.
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Os testículos são gônadas pares, de forma ovoide, que se desenvolvem na parede posterior do abdome e migram, durante a vida fetal, pelo canal inguinal até o escroto — trajeto essencial, pois a criptorquidia (testículo não descido) leva à atrofia do epitélio seminífero e à infertilidade se não corrigida cirurgicamente nos primeiros anos de vida. Internamente, cada testículo é dividido por septos conjuntivos em cerca de 250 lóbulos, cada um contendo de um a quatro túbulos seminíferos enovelados, cujo epitélio germinativo é estratificado e sustentado pelas células de Sertoli, unidas por junções oclusivas que formam a barreira hemato-testicular — estrutura que impede a passagem de antígenos e substâncias tóxicas ao gameta em maturação e cria compartimentos basal e adluminal.
No compartimento basal, espermatogônias se dividem por mitose; no adluminal, ocorrem meiose e espermiogênese, e as células de Sertoli atuam na nutrição, fagocitose do citoplasma residual e secreção de inibina e da proteína ligadora de androgênio (ABP), que concentra testosterona no lúmen tubular. Entre os túbulos, no tecido intersticial, situam-se as células de Leydig, estimuladas pelo LH hipofisário a sintetizar testosterona, enquanto o FSH age sobre as células de Sertoli. Como exemplo concreto, o uso de esteroides anabolizantes suprime o GnRH hipotalâmico por retroalimentação negativa, reduzindo LH e FSH, o que atrofia as células de Leydig e interrompe a espermatogênese, causando infertilidade reversível ou não.
Epidídimos
Ductos muito enovelados sobre cada testículo, onde os espermatozoides completam a maturação e adquirem motilidade. Funcionam também como local de armazenamento — os gametas podem permanecer ali por semanas antes da ejaculação ou de serem reabsorvidos.
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Os epidídimos são órgãos tubulares altamente enovelados, medindo cerca de 6 metros de comprimento quando distendidos, mas compactados em apenas 4 a 5 centímetros sobre a borda posterior de cada testículo. Estruturalmente, dividem-se em cabeça, corpo e cauda: na cabeça, ocorre a reabsorção de fluido testicular e a concentração dos espermatozoides; ao longo do corpo, eles sofrem modificações bioquímicas — como a adição de proteínas de superfície e a remodelação da membrana plasmática — que completam sua maturação e adquirem motilidade progressiva; na cauda, ficam armazenados em estado de quiescência metabólica até a ejaculação.
Ductos deferentes
Conduzem os espermatozoides do epidídimo até a uretra, subindo pelo canal inguinal e contornando a bexiga. São o alvo da vasectomia, em que sua secção impede a passagem dos gametas, sem afetar a produção hormonal nem o volume do sêmen.
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Os ductos deferentes, também chamados de canais deferentes ou vasos deferentes, são tubos musculares de aproximadamente 30 a 45 centímetros de comprimento que representam a via de saída dos espermatozoides a partir do epidídimo. Cada ducto é revestido por epitélio pseudoestratificado ciliado e possui uma espessa camada de músculo liso, cuja contração peristáltica, desencadeada pela ejaculação, impulsiona os gametas com força em direção à uretra. Ao longo do trajeto, o ducto deferente não apenas transporta, mas também armazena espermatozoides por curtos períodos, e sua ampola, porção dilatada antes da próstata, une-se à vesícula seminal para formar o ducto ejaculatório, que desemboca na uretra prostática.
Uretra
Canal que atravessa o pênis e serve tanto ao sistema urinário quanto ao genital — via comum, exclusiva do sexo masculino. Um mecanismo esfincteriano impede que urina e sêmen sejam eliminados simultaneamente.
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A uretra masculina é um tubo músculo-membranoso que se estende da bexiga até o óstio externo, na glande, e se divide em quatro porções com características distintas: a uretra intramural (pré-prostática, de cerca de 1 cm, com o esfíncter interno liso), a uretra prostática (aproximadamente 3 cm, atravessando a próstata, onde desembocam os ductos ejaculatórios e as glândulas prostáticas), a uretra membranosa (segmento mais curto e estreito, com cerca de 1,5 cm, envolvido pelo esfíncter externo estriado, de controle voluntário, sendo o ponto de maior risco de ruptura em traumatismos pélvicos) e a uretra esponjosa (a mais longa, cerca de 15 cm, percorrendo o corpo esponjoso do pênis até a fossa navicular e o óstio externo, onde desembocam as glândulas bulbouretrais por meio dos ductos de Cowper).
Essa dupla função — conduzir urina e sêmen — só é possível porque o esfíncter interno, de musculatura lisa e controle involuntário, fecha-se durante a ejaculação por ação do sistema nervoso simpático, impedindo que o sêmen reflua para a bexiga, enquanto o esfíncter externo permanece contraído durante a micção até o momento adequado da eliminação urinária.
Glândulas seminais
Também ditas vesículas seminais, respondem por cerca de 60% do volume do sêmen. Produzem líquido alcalino, rico em frutose — a fonte de energia do espermatozoide — e em prostaglandinas, que estimulam contrações no trato feminino.
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As glândulas seminais são estruturas pares, alongadas e lobuladas, situadas atrás da bexiga e acima da próstata, com ducto que se une ao ducto deferente para formar o ducto ejaculatório, que desemboca na uretra prostática — detalhe anatômico que explica por que a secreção seminal só se mistura aos espermatozoides no momento da ejaculação. Histologicamente, apresentam epitélio columnar simples com células ricas em grânulos de secreção e atividade androgênio-dependente: sob estímulo da testosterona, produzem um líquido viscoso e amarelado que representa a porção final do sêmen, responsável por coagular logo após a ejaculação e, depois, ser fluidificado por enzimas prostáticas.
Além da frutose e das prostaglandinas, esse líquido contém fibrinogênio, que participa da coagulação seminal, e quantidades de vitamina C, flavinas e enzimas antioxidantes que protegem o espermatozoide do estresse oxidativo no trato feminino.
Vale ainda memorizar que a frutose seminal é dosada no espermograma como marcador de função vesicular, enquanto o zinco e a fosfatase ácida são marcadores prostáticos, distinção que já apareceu em questões de interpretação de exames laboratoriais em vestibulares como Fuvest e Unicamp.
Próstata
Produz secreção alcalina e leitosa, que neutraliza a acidez da uretra e do meio vaginal, ampliando a sobrevivência dos espermatozoides. Envolve a uretra, e seu aumento — hiperplasia benigna — dificulta a micção. É sede de um dos cânceres mais frequentes em homens.
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A próstata é uma glândula exócrina do tamanho aproximado de uma castanha, situada abaixo da bexiga e à frente do reto, atravessada pela uretra prostática em sua porção inicial; essa relação anatômica explica por que qualquer crescimento glandular se traduz clinicamente em sintomas urinários, como jato fraco, hesitação, noctúria e esvaziamento incompleto da bexiga. Do ponto de vista histológico, distingue-se da glândula bulbouretral (de Cowper) e das vesículas seminais, que são glândulas anexas distintas: as vesículas seminais produzem secreção rica em frutose, que nutre o espermatozoide, enquanto a próstata contribui com cerca de 20 a 30% do volume seminal, fornecendo enzimas como o antígeno prostático específico (PSA), responsável por fluidificar o coágulo seminal e permitir a motilidade dos gametas.
O controle do crescimento prostático depende da conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT) pela enzima 5-alfa-redutase, especialmente no interior da glândula; por isso, inibidores dessa enzima, como a finasterida, são usados na hiperplasia prostática benigna e reduzem o volume glandular. As duas condições mais cobradas em provas são justamente a hiperplasia benigna e o adenocarcinoma prostático, cujo rastreamento combina o toque retal com a dosagem sérica de PSA; vale lembrar que a hiperplasia acomete preferencialmente a zona de transição, enquanto o câncer surge mais frequentemente na zona periférica, o que explica o achado típico ao toque retal.
Glândulas bulbouretrais
Também chamadas de Cowper. Produzem, antes da ejaculação, uma pequena secreção lubrificante e alcalina que limpa e neutraliza a uretra. Pode conter espermatozoides — razão pela qual o coito interrompido é método pouco confiável.
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As glândulas bulbouretrais são duas pequenas formações pares, do tamanho aproximado de uma ervilha, situadas abaixo da próstata e envolvidas pelas fibras do músculo esfíncter uretral externo, cujos ductos desembocam diretamente na uretra esponjosa. Histologicamente são glândulas tubuloalveolares compostas, revestidas por epitélio cúbico ou colunar e cercadas por estroma fibromuscular; sua secreção é um muco transparente e viscoso, rico em galactose, galactosamina, ácido siálico, mucoproteínas e fosfatase alcalina, cuja função vai muito além de lubrificar: trata-se de uma resposta antecipatória ao estímulo sexual, liberada na fase de excitação, que prepara o canal uretral para a passagem do sêmen.
Pênis
Órgão copulador, com dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso, que envolve a uretra. A ereção resulta do enchimento desses tecidos por sangue, sob controle do sistema nervoso parassimpático; a ejaculação é comandada pelo simpático.
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O pênis é formado por três colunas de tecido erétil — os dois corpos cavernosos dorsais e o corpo esponjoso ventral, que se dilata nas extremidades formando a glande e a bulbo uretral — além da fáscia de Buck, que os envolve, e da pele, cuja porção distal forma o prepúcio, removível na circuncisão; a uretra masculina, com cerca de 20 cm, é a via comum do esperma e da urina, o que explica por que o esfíncter uretral interno se contrai durante a ejaculação para impedir a passagem simultânea de urina; endoscopicamente, a uretra apresenta três porções — prostática, membranosa e peniana —, e a irrigação provém das artérias pudendas internas, ramos da ilíaca interna, enquanto a drenagem venosa se faz pelas veias dorsais, que se comunicam com o plexo prostático, rota pela qual metástases de câncer de próstata podem atingir a coluna vertebral.
Quanto ao mecanismo, a excitação parassimpática libera óxido nítrico pelas terminações nervosas e pelo endotélio, ativando a guanilato ciclase e elevando o GMP cíclico, que relaxa o músculo liso das arteríolas helicinas e do trabéculo, permitindo o influxo sanguíneo e a compressão das veias por baixo da túnica albugínea, o que retém o sangue e sustenta o turgor; por isso o sildenafil (Viagra), inibidor da fosfodiesterase tipo 5, prolonga a ação do GMPc e é contraindicado a cardiopatas que usam nitratos, pois a vasodilatação somada pode causar hipotensão grave.
A ejaculação, em duas fases — emissão (simpático, contração do epidídimo, ducto deferente, vesícula seminal e próstata, lançando o sêmen na uretra prostática) e expulsão (somática, contrações rítmicas dos músculos bulbouretrais e isquiocavernosos) —, é o ponto em que se cobra a distinção dos sistemas autônomos, enquanto a vasectomia, que secciona o ducto deferente, é lembrada como método irreversível que não afeta a produção hormonal nem o volume do ejaculado, apenas retira os espermatozoides dele.