Fotossíntese
Processo pelo qual autótrofos convertem energia luminosa em energia química, produzindo matéria orgânica: $\mathrm{6\,CO_2 + 12\,H_2O \to C_6H_{12}O_6 + 6\,O_2 + 6\,H_2O}$. Sustenta praticamente todas as cadeias alimentares e mantém o oxigênio atmosférico.
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A fotossíntese ocorre em duas etapas acopladas dentro do cloroplasto. Na fase clara, nas membranas dos tilacoides, a clorofila e outros pigmentos absorvem luz e excitam elétrons, que percorrem uma cadeia transportadora até o NADP⁺, formando NADPH; ao mesmo tempo, a fotólise da água repõe esses elétrons e libera O₂ como subproduto, enquanto um gradiente de prótons move a ATP sintase, gerando ATP. Na fase escura (ciclo de Calvin), no estroma, o CO₂ é fixado pela enzima Rubisco sobre a ribulose-1,5-bifosfato, e o ATP e o NADPH produzidos antes sustentam a redução que origina trioses-fosfato, matéria-prima da glicose e da sacarose — note que a "fase escura" também depende de luz, pois sem ATP e NADPH o ciclo para.
Como exemplo concreto, uma planta de feijão em vaso na janela: ao meio-dia, a fase clara alimenta o ciclo de Calvin e a folha acumula amido; à noite, sem luz, a fase clara cessa, o ciclo de Calvin para e a planta passa a consumir parte da matéria orgânica pela respiração celular.
Equação química e origem do oxigênio
O $\mathrm{O_2}$ liberado vem da água, não do gás carbônico — demonstrado por experimentos com oxigênio-18 marcado, feitos por Ruben e Kamen. Daí a equação ser escrita com 12 moléculas de água nos reagentes e 6 nos produtos.
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A fotossíntese só faz sentido quando encarada como um processo redox completo, não como uma simples troca de gases. Na fase clara, a clorofila excitada perde elétrons para a cadeia transportadora, gerando NADPH e ATP; para repor esses elétrons, o fotossistema II promove a fotólise da água, quebrando 2 H₂O em 4 H⁺, 4 elétrons e 1 O₂.
Cloroplastos
Organelas de dupla membrana com DNA e ribossomos próprios. Internamente, os tilacoides empilhados formam os granum, onde ocorre a etapa fotoquímica, e o fluido que os envolve é o estroma, onde ocorre a etapa química.
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Os cloroplastos são organelas semiautônomas cuja origem remonta à endossimbiose de uma cianobactéria ancestral fagocitada por uma célula eucariótica heterotrófica, o que explica seu DNA circular (o DNA plastidial) e ribossomos 70S, semelhantes aos bacterianos — evidência de hereditariedade extranuclear, já que o cloroplasto se divide independentemente e é transmitido quase sempre por via materna. Cada cloroplasto é delimitado por um envelope de dupla membrana e preenchido pelo estroma, onde mergulham um sistema de membranas internas que formam os tilacoides; estes podem organizar-se em pilhas chamadas granum, interligadas por lamelas do estroma.
Além dos tilacoides, o estroma contém grãos de amido (produto da fotossíntese), plastoglóbulos — gotículas que armazenam lipídios para a manutenção das membranas tilacoidais — e enzimas do ciclo de Calvin, como a RuBisCO.
Vale lembrar ainda os clássicos experimentos de Engelmann e de Calvin: o primeiro revelou que as algas fotossintetizam preferencialmente na luz vermelha e azul, e o segundo mapeou, com carbono-14, a fixação do CO₂ no estroma, provando que a etapa química ocorre fora dos tilacoides.
Pigmentos fotossintéticos
Clorofilas a e b, os principais, absorvem luz e refletem o verde. Os carotenoides (carotenos e xantofilas) são acessórios, ampliam a faixa de absorção e protegem contra o excesso de luz. As ficobilinas ocorrem em algas vermelhas e cianobactérias.
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Os pigmentos fotossintéticos são moléculas capazes de absorver energia luminosa e transferi-la para os centros de reação, onde ela é convertida em energia química — por isso, a cor que enxergamos em uma folha corresponde justamente à luz que ela não absorve, e sim reflete. Cada pigmento tem um espectro de absorção próprio, com picos em comprimentos de onda específicos: a clorofila a, por exemplo, absorve intensamente na faixa do azul-violeta (cerca de 430 nm) e na do vermelho (cerca de 660 nm), o que explica por que a luz verde, situada entre esses picos, é pouco aproveitada e acaba refletida — daí o verde característico das plantas. Além disso, a clorofila a é a única que participa diretamente da conversão de energia no centro de reação, enquanto os demais pigmentos atuam como antenas acessórias que ampliam a eficiência da captação.
Espectro de absorção dos pigmentos fotossintéticos
A clorofila absorve mais nas faixas do azul-violeta e do vermelho, e reflete o verde — daí a cor das plantas. O espectro de ação da fotossíntese coincide com esse padrão, o que confirma a clorofila como pigmento principal. Luz verde é a menos eficiente.
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Por trás desse padrão espectral há uma explicação quântica e molecular: cada pigmento possui um sistema de duplas ligações conjugadas em sua estrutura, e a extensão desse sistema determina exatamente quais comprimentos de onda ele consegue captar. A clorofila a, pigmento central, tem picos de absorção próximos de 430 nm (região do azul-violeta, na forma de clorofila a in vivo) e 662 nm (vermelho), enquanto a clorofila b desloca esses picos para cerca de 453 nm e 642 nm, ampliando a janela de captação do complexo antena. Já os carotenoides, como o betacaroteno e as xantofilas, absorvem sobretudo na faixa do azul-violeta, cobrindo a lacuna deixada entre os dois picos da clorofila; além disso, exercem papel fotoprotetor, dissipando o excesso de energia e evitando a formação de espécies reativas de oxigênio quando a luz é intensa demais.