Protozoários
Organismos eucariontes, unicelulares e heterótrofos, tradicionalmente reunidos no reino Protista — grupo hoje reconhecido como parafilético. Vivem em ambientes úmidos, de vida livre ou parasitária, e alguns formam colônias.
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Os protozoários são, na maioria, seres microscópicos de organização celular simples, mas com maquinário intracelular completo, o que lhes permite desempenhar todas as funções vitais em uma única célula. A locomoção se dá por estruturas especializadas que também servem para classificação: flagelos (como no Trypanosoma cruzi), cílios (no Paramecium), pseudópodes (na Amoeba proteus) e, nos esporozoários, ausência de movimento próprio — caso do Plasmodium, agente da malária. A alimentação é heterotrófica por fagocitose e pinocitose, com digestão em vacúolos digestivos e controle osmótico por vacúolos contráteis, típicos de água doce.
A reprodução mais comum é assexuada por divisão binária, mas há conjugação em ciliados e ciclos com alternância de hospedeiros nos parasitas.
Características gerais
Célula eucariótica completa, sem parede celular. Nutrição por fagocitose, com digestão em vacúolos digestivos. Muitos de água doce têm vacúolo contrátil para osmorregulação. A classificação tradicional baseia-se no tipo de locomoção.
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Os protozoários formam um grupo polifilético de protistas heterotróficos, ou seja, não constituem um clado único, mas reúnem organismos com ancestralidade diversa que compartilham o modo de vida unicelular e a ausência de parede celular. Essa distinção é importante porque a antiga classificação em sarcodíneos, ciliados, flagelados e esporozoários, baseada apenas no tipo de locomoção, caiu em desuso na biologia moderna, embora ainda apareça em muitos livros didáticos e continue sendo exigida em vestibulares. Do ponto de vista estrutural, além das organelas comuns às células eucarióticas, alguns protozoários apresentam estruturas especializadas, como os cílios e flagelos (formados por microtúbulos organizados no padrão 9+2), os pseudópodes (projeções citoplasmáticas usadas tanto na locomoção quanto na captura de alimento) e os axonemas, que sustentam essas estruturas locomotoras.
Classificação
Quatro grupos, pelo modo de locomoção: rizópodes (pseudópodes), ciliados (cílios), flagelados (flagelos) e esporozoários, sem estruturas locomotoras e todos parasitas. É classificação didática, não filogenética.
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Essa divisão em quatro grupos é, antes de tudo, um recurso prático para organizar o estudo, porque agrupa organismos muito distintos quanto à forma, ao número de núcleos e ao modo de vida com base apenas no apêndice locomotor mais evidente.
Vale lembrar que os protozoários formam um conjunto artificial dentro dos eucariotos unicelulares heterotróficos, hoje espalhados por vários grupos filogenéticos, como os alveolados, os estramenopilos e os escavados, de modo que um flagelado pode estar mais próximo de uma alga do que de um ciliado. O exemplo clássico de rizópode é a ameba, que emite pseudópodes para se deslocar e para capturar alimento por fagocitose, enquanto o paramécio, ciliado, usa milhares de cílios coordenados e possui dois núcleos, um macro e um micronúcleo, o que ilustra como um mesmo grupo pode esconder complexidades bem diferentes. Já entre os flagelados, o Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas, e o Trichomonas vaginalis mostram que o flagelo pode servir tanto à locomoção quanto à fixação no hospedeiro, e muitos deles vivem em simbiose com cupins ou no intestino de vertebrados sem causar dano.
Os esporozoários, como o Plasmodium, causador da malária, perderam as estruturas locomotoras na fase adulta, mas realizam deslocamento por deslizamento celular e produzem esporos, sendo todos parasitas obrigatórios com ciclos de vida complexos, alternando hospedeiros invertebrados e vertebrados.
Rizópodes ou sarcodíneos
Deslocam-se e capturam alimento por pseudópodes, projeções do citoplasma — movimento ameboide. Não têm forma fixa. Exemplos: a ameba de vida livre, a Entamoeba histolytica, causadora da amebíase, e os foraminíferos, com carapaça calcária.
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Os rizópodes ilustram o princípio de que a célula pode ser ao mesmo tempo locomotor, estômago e esqueleto, o que explica sua posição central no estudo da evolução dos eucariontes. O pseudópode não é uma estrutura permanente, mas uma região transitória do citoplasma que se forma quando filamentos de actina polimerizam empurrando a membrana plasmática para frente, enquanto a miosina contrai a porção posterior da célula — um sistema actina-miosina homólogo ao que move nossas células musculares e nossas células de defesa, o que reforça a unidade bioquímica da vida. Esse mesmo mecanismo serve à fagocitose: a ameba engloba partículas e microrganismos, formando um vacúolo digestivo que se funde a lisossomos.
Vale notar que nem todo rizópode é microscópico e solitário — os foraminíferos constroem carapaças calcárias com câmaras e podem formar depósitos de rocha (os calcários) e indicadores de prospecção de petróleo, enquanto as amebas de água doce eliminam o excesso de água por vacúolos pulsáteis, controlando a osmose.
Cilióforos ou ciliados
Movem-se por cílios numerosos e coordenados. São os protozoários mais complexos: têm dois núcleos — macronúcleo vegetativo e micronúcleo reprodutivo —, citóstoma, citopígio e vacúolo contrátil. O paramécio é o exemplo clássico; o Balantidium coli é parasita.
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Os ciliados formam um grupo de protozoários cujo nome deriva justamente de sua estrutura locomotora mais marcante, mas reduzir esse grupo aos cílios é perder de vista a razão pela qual ele é tratado como o auge da complexidade celular entre os protozoários. Trata-se de organismos unicelulares que, no entanto, apresentam uma verdadeira divisão de trabalho intracelular: diferentes regiões da membrana e do citoplasma assumem funções especializadas, como captura de alimento, excreção, osmorregulação e reprodução, algo que aproxima a célula de um ciliado de um organismo pluricelular em miniatura. Os cílios, dispostos em fileiras ao longo do corpo, batem de forma coordenada graças à transmissão do estímulo elétrico pela membrana, gerando deslocamento e, ao mesmo tempo, correntes de água que conduzem partículas alimentares até o citóstoma.
Esse é um ponto importante: a coordenação dos cílios não depende de um sistema nervoso, mas de propriedades elétricas da própria membrana celular, o que costuma ser destacado como exemplo do potencial de organização de uma única célula. Além disso, os ciliados apresentam citopígio, por onde são eliminados os resíduos da digestão, e vacúolos contráteis que realizam osmorregulação, evitando que a célula se rompa em meio hipotônico. No paramécio, exemplo clássico, esse conjunto de estruturas permite explorar ambientes aquáticos com eficiência notável. Quanto à reprodução, os ciliados exibem dois processos distintos e frequentemente cobrados em prova: a divisão binária, assexuada, e a conjugação, que constitui um processo de troca genética entre dois indivíduos.
É nesse contexto que os dois núcleos ganham sentido funcional: o macronúcleo, poliploide e ativo na transcrição gênica, comanda o metabolismo vegetativo; o micronúcleo, diploide e reservado à reprodução, sofre mitose durante a divisão binária e meiose durante a conjugação, originando os núcleos que serão trocados entre os conjugantes.
Mastigóforos (zoomastigóforos) ou flagelados
Locomoção por um ou mais flagelos. Incluem importantes parasitas humanos: Trypanosoma cruzi (doença de Chagas), Trypanosoma brucei (doença do sono), Leishmania, Giardia e Trichomonas. Alguns vivem em mutualismo no intestino de cupins.
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Os mastigóforos, também chamados de zoomastigóforos ou flagelados, constituem um grupo de protozoários cuja principal característica é a presença de flagelos — estruturas filamentosas que realizam movimento ondulatório e permitem tanto a locomoção quanto a captura de alimento e a sensibilidade ao meio. Diferentemente das amebas, que emitem pseudópodes, e dos ciliados, cobertos por cílios, os flagelados dependem de um número reduzido de flagelos (geralmente um ou dois, às vezes mais) para se deslocar. Muitos deles apresentam também uma membrana ondulante, formada pela associação do flagelo com uma expansão da membrana celular, o que amplia a eficiência do movimento em meios viscosos como o sangue e a linfa.
Apicomplexa ou esporozoários
Sem estruturas de locomoção na fase adulta e todos parasitas. Possuem o complexo apical, que permite penetrar nas células hospedeiras. Têm ciclos de vida complexos, com alternância de hospedeiros: Plasmodium, causador da malária, e Toxoplasma gondii.
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Os apicomplexos são um grupo de protozoários exclusivamente parasitas em que a ausência de flagelos, cílios ou pseudópodes na fase adulta é compensada por uma maquinaria de invasão altamente especializada: o complexo apical, formado por anel polar, conoide, roptrias, micronemas e grânulos densos, estruturas que secretam enzimas capazes de perfurar a membrana da célula hospedeira e reorganizá-la em torno do parasita, permitindo o parasitismo intracelular obrigatório. Essa característica explica por que esses organismos dependem de pelo menos um hospedeiro vertebrado e, muitas vezes, de um invertebrado vetor para completar o ciclo, alternando entre formas de reprodução assexuada e sexuada e entre estágios como esporozoíto, taquizoíto, bradizoíto e merozoíto.
O exemplo mais cobrado é o Plasmodium, agente da malária: o esporozoíto inoculado pelo mosquito Anopheles invade hepatócitos, transforma-se em esquizonte tecidual, libera merozoítos que infectam hemácias e, ao destruí-las em ciclos sincronizados, provocam febre alta, calafrios e anemia; alguns parasitas diferenciam-se em gametócitos, ingeridos pelo mosquito, onde ocorre a reprodução sexuada e a formação de novos esporozoítos.