F2 · Aula 17

Sucessão ecológica

Conceito

Sequência ordenada de substituição de comunidades num mesmo local, até atingir a comunidade clímax, estável e em equilíbrio. A primeira comunidade a se instalar é a pioneira, seguida das seres ou estágios intermediários.

Aprofundar

A sucessão ecológica é o processo dinâmico pelo qual uma área, antes desprovida de vida ou perturbada, vai sendo gradualmente colonizada e transformada por organismos que modificam as condições ambientais para si mesmos e para as espécies seguintes. O motor desse processo é a facilitação — cada comunidade altera fatores como luminosidade, umidade, teor de matéria orgânica e disponibilidade de nutrientes no solo, tornando o ambiente progressivamente mais favorável a espécies que não conseguiriam se estabelecer no início. Assim, a sucessão caminha no sentido de maior biomassa, diversidade e complexidade das cadeias alimentares, com aumento da produtividade primária líquida nos primeiros estágios e estabilização no clímax, quando produção e respiração praticamente se equilibram.

Vale distinguir a sucessão primária, que começa em substrato virgem, sem solo formado — como uma rocha nua exposta após recuo de geleira ou uma ilha vulcânica recém-formada —, da sucessão secundária, que ocorre onde já havia solo e comunidade, mas houve perturbação, como um campo abandonado após queimada ou desmatamento; esta é bem mais rápida, pois o solo e o banco de sementes já existem.

Sucessão ecológica primária

Ocorre em áreas nunca antes ocupadas por seres vivos: rocha nua, dunas, lava recém-solidificada. Começa com liquens e musgos, que decompõem a rocha e formam o solo inicial. É um processo muito lento, podendo levar séculos ou milênios.

Aprofundar

A sucessão ecológica primária é o processo de colonização e desenvolvimento de uma comunidade biológica em um ambiente que nunca abrigou vida, como rocha exposta, campo de lava vulcânica recém-solidificada, dunas costeiras ou afloramentos rochosos deixados por recuo de geleiras, de modo que não há solo formado, matéria orgânica acumulada nem banco de sementes ou propágulos pré-existentes, o que a distingue da sucessão secundária, que ocorre onde havia vida e o ambiente foi perturbado, mas ainda conserva solo e formas de resistência; o processo começa com organismos pioneiros extremamente tolerantes à dessecação, à variação térmica e à escassez de nutrientes, como liquens crustosos, cianobactérias e musgos, capazes de se fixar diretamente na rocha e de secretar ácidos orgânicos que promovem a intemperização química e física do substrato, liberando minerais e, junto com a decomposição de seus próprios restos, formando o primeiro horizonte de solo incipiente; à medida que esse solo se espessa e retém água e nutrientes, surgem líquens folhosos, musgos maiores, depois herbáceas e pequenos arbustos, e a comunidade vai sendo substituída por espécies mais exigentes, de crescimento mais rápido e maior biomassa, até que árvores e a fauna associada se estabeleçam e o ecossistema atinja o clímax, com maior diversidade, produtividade e estabilidade, embora o clímax não seja um ponto fixo e possa variar com clima, solo e perturbações; um exemplo concreto é a colonização da lava solidificada do vulcão Kilauea, no Havaí, onde liquens pioneiros se instalam em poucos anos, seguidos por samambaias e árvores, num processo que leva séculos; nas provas, o tema costuma aparecer em questões que distinguem sucessão primária e secundária, pedem a ordem dos grupos pioneiros, associam a sucessão a conceitos de intemperismo, formação do solo, aumento da diversidade e da biomassa, ou cobram interpretação de gráficos de riqueza de espécies ao longo do tempo, sendo comum a pegadinha de sugerir que a sucessão primária é rápida ou que começa por gramíneas, quando na verdade começa por liquens e musgos; além disso, é frequente a cobrança da relação entre sucessão, produtividade primária líquida e estoque de matéria orgânica, que aumenta progressivamente; assim, compreender a sucessão primária exige associar ecologia, formação do solo e dinâmica de comunidades, reconhecendo que se trata de um processo lento, direcional e dependente de interações bióticas e abióticas, e que a comunidade clímax não é um estágio fixo, mas resultado das condições ambientais e das interações ecológicas ao longo do tempo.

Sucessão ecológica secundária

Ocorre em áreas previamente ocupadas e depois perturbadas — pastagem abandonada, área queimada ou desmatada. Como já existe solo formado, com sementes e nutrientes, o processo é bem mais rápido que a sucessão primária.

Aprofundar

Na sucessão secundária, a perturbação não elimina o solo nem o banco de sementes e propágulos que nele resiste, o que muda completamente a lógica do processo: em vez de começar da rocha nua, a comunidade parte de um estoque biológico já existente, e por isso as fases se atropelam em vez de se sucederem lentamente. O que define esse tipo de sucessão é justamente a resiliência do ecossistema — a capacidade de retornar à comunidade clímax original ou a uma equivalente funcional após o distúrbio —, e o ritmo dessa retomada depende de fatores como intensidade da perturbação, proximidade de fragmentos florestais que sirvam de fonte de propágulos e fertilidade residual do solo.

Espécies pioneiras de ciclo curto, como gramíneas e arbustos heliófilos, recolonizam rapidamente, seguidas por árvores de crescimento médio e, por fim, pelas espécies tardias e tolerantes à sombra, que só se estabelecem quando o dossel se fecha e altera as condições de luz, umidade e temperatura no sub-bosque.

Alterações ao longo da sucessão

Da pioneira ao clímax, aumentam: biodiversidade, biomassa, complexidade das teias, estratificação e estabilidade. A produtividade primária bruta aumenta, mas a líquida diminui — no clímax, a PPB praticamente iguala a respiração da comunidade, e o saldo tende a zero.

Aprofundar

Ao longo da sucessão ecológica, o ecossistema passa por mudanças previsíveis na estrutura e no funcionamento, e o ponto central para entender isso é que a comunidade modifica o próprio ambiente, tornando-o gradualmente mais favorável a espécies de ciclo de vida longo em detrimento das colonizadoras de crescimento rápido — um exemplo clássico é a sucessão numa rocha nua ou num campo abandonado: liquens e musgos (pioneiros, pequenos, resistentes à dessecação e de altíssima taxa reprodutiva) acidificam o substrato e acumulam matéria orgânica, abrindo caminho para ervas, depois arbustos e, por fim, árvores que formam dossel fechado; nesse caminho, a razão entre produção e respiração da comunidade cai de valores muito acima de 1 (pioneiras, que crescem rápido e respiram pouco por unidade de biomassa) para próximo de 1 no clímax, e a razão biomassa/produtividade sobe, ou seja, cada vez mais energia é desviada para manutenção e menos para crescimento novo — o que também explica por que a ciclagem de nutrientes se torna mais fechada e a eficiência no uso da água e dos nutrientes aumenta, já que o sistema recicla internamente o que antes perdia.

Esse conjunto aparece nas provas quase sempre como gráficos (curvas de biomassa, diversidade ou PPB × tempo), como comparação entre estágios ("qual característica distingue a comunidade clímax da pioneira?") ou como caso aplicado, por exemplo em questões sobre recuperação de áreas degradadas, onde se cobra que o aluno perceba que a sucessão pode ser interrompida ou desviada por fogo, pastoreio ou espécies invasoras, gerando um clímax antrópico diferente do original, e que a produtividade líquida cai justamente porque o sistema amadureceu, não porque ficou doente — detalhe que separa a resposta mediana da excelente.