F2 · Aula 40

Gimnospermas

Características gerais

Pinheiros, araucárias, ciprestes, sequoias e cicas. Primeiras plantas com semente, ainda nua — sem fruto, exposta nas escamas do estróbilo ou cone. Predominam em climas frios e temperados, com folhas em geral aciculares e cutícula espessa, que reduzem a perda de água.

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As gimnospermas representam um marco evolutivo decisivo na conquista do ambiente terrestre: a semente como estrutura de dispersão e proteção do embrião, aliada ao grão de pólen, libertou a reprodução da dependência da água, permitindo a exploração de ambientes mais secos e frios que os das briófitas e pteridófitas. O ciclo de vida é haplobionte diplonte, com esporófito dominante e heterosporia: o microestróbilo produz micrósporos que originam grãos de pólen (gametófito masculino reduzido), enquanto o megastróbilo abriga os óvulos, onde se forma o gametófito feminino e, após a fecundação, a semente. Diferentemente das angiospermas, não há flor nem fruto envolvendo a semente — daí o termo "nua" —, e a polinização é tipicamente anemófila, o que explica a produção massiva de pólen e a ausência de atrativos como néctar e pétalas.

Pólen e tubo polínico

A grande inovação: o grão de pólen é o gametófito masculino reduzido, transportado pelo vento (anemofilia). Ao germinar, forma o tubo polínico, que conduz os gametas até o óvulo — o que libera definitivamente a fecundação da água. Os gametas masculinos não têm flagelo.

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O ponto-chave é entender que, nas gimnospermas, a polinização e a fecundação não são eventos imediatos: entre a chegada do grão de pólen ao micrópilo do óvulo e a fusão dos gametas passa-se um intervalo considerável — semanas em Pinus, podendo chegar a mais de um ano em algumas coníferas. Ao ser capturado pela gota de polinização, o grão de pólen é puxado para o interior do óvulo, onde germina, emitindo o tubo polínico que cresce lentamente pelo tecido do nucelo (megasporângio). Durante esse trajeto, a célula do grão de pólen (seu gametófito masculino) divide-se formando duas células: uma célula do tubo e uma célula geradora, que por sua vez origina dois gametas masculinos — sem flagelos, ou seja, não são anterozoides móveis como nas briófitas e pteridófitas.

O tubo cresce até a arquegônia, estrutura feminina que abriga a oosfera (gameta feminino); só então um dos gametas é liberado e fecunda a oosfera, formando o zigoto, que se desenvolve em embrião dentro da semente — esta, desprovida de fruto, daí o nome "gimnosperma" (semente nua). As demais células do gametófito feminino degeneram e servem de reserva nutritiva ao embrião. Como exemplo concreto, no pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), as pinhas femininas recebem o pólen levado pelo vento e só após meses ocorre a fecundação, originando o pinhão.

Óvulo e semente

O óvulo é a estrutura que contém o gametófito feminino e, após a fecundação, converte-se em semente: embrião, reserva nutritiva e tegumento protetor. A semente permite a dormência e a dispersão a distância, sendo decisiva na conquista de ambientes secos.

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Diferentemente das briófitas e pteridófitas, que dependem da água para a fecundação, nas gimnospermas o óvulo é uma estrutura especializada formada por um megasporângio (o nucelo) envolvido por tegumento(s), onde se desenvolve o gametófito feminino reduzido, constituído apenas por algumas células e pelo arquegônio com a oosfera. Esse óvulo permanece exposto sobre a folha modificada (escama ovulífera) da pinha, o que explica o nome "gimnosperma" (semente nua, sem fruto envolvendo). Após a polinização pelo vento e a formação do tubo polínico, ocorre a fecundação e o óvulo fecundado se transforma em semente, cujo tegumento passa a proteger o embrião contra a dessecação e o ataque de microrganismos.

Tomemos como exemplo a araucária (Araucaria angustifolia), a nossa "pinheiro-do-paraná": suas sementes são os famosos pinhões, que ficam expostos nas pinhas e são dispersos por aves e roedores, garantindo a colonização de novas áreas. Esse é o ponto que as bancas mais exploram: a independência da água para a reprodução, obtida graças ao tubo polínico, e a presença do óvulo nu, sem ovário fechado. Na Fuvest e na Unicamp é comum pedirem a comparação entre o óvulo das gimnospermas e o das angiospermas, destacando que nestas últimas o óvulo fica encerrado no ovário, originando, após a fecundação, a semente dentro do fruto. Já o Enem costuma contextualizar com pinheiros e araucárias, cobrando a vantagem adaptativa de dispersão sem água e a dormência das sementes, que podem permanecer viáveis por longos períodos até encontrarem condições ideais de germinação.

Reprodução

Ciclo diplobionte com esporófito amplamente dominante e gametófitos reduzidos a poucas células, dependentes dele. São heterosporadas: produzem micrósporos (pólen) nos estróbilos masculinos e megásporos nos femininos. Não há dupla fecundação.

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Na gimnosperma, após a polinização — transporte do grão de pólen pelo vento até o óvulo exposto na superfície do megastróbilo —, forma-se o tubo polínico, que cresce lentamente pela nucela (tecido do óvulo) até alcançar o arquegônio. Esse tubo conduz dois gametas masculinos, mas apenas um fecunda a oosfera, originando o zigoto (2n); o outro degenera.

Como exemplo concreto, no pinheiro (Pinus), o ciclo completo dura cerca de dois anos: da polinização à maturação da semente, o megastróbilo feminino permanece fechado e a dispersão ocorre por vento ou animais.

Importância

Fonte de madeira, celulose e papel, resinas, terebintina e âmbar. O pinhão, semente da araucária, é alimento tradicional no sul do Brasil. Formam grandes florestas de coníferas (taiga) e incluem os maiores e mais longevos organismos do planeta, as sequoias.

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Se você já entendeu o valor direto das gimnospermas, vale aprofundar o papel delas nos ciclos ecológicos e na economia global: como formam florestas boreais contínuas no Hemisfério Norte (a taiga siberiana e canadense), funcionam como sumidouro de carbono e reguladoras do clima, além de sustentarem fauna especializada, a exploração madeireira e a indústria de papel e resinas; a araucária (Araucaria angustifolia), por exemplo, é uma gimnosperma brasileira típica da Mata Atlântica de altitude que produz o pinhão, alimento tradicional no sul do Brasil e importante fonte de renda para comunidades rurais, mas hoje está ameaçada de extinção pela extração de madeira e pela expansão agrícola, o que ilustra como uma gimnosperma pode ser simultaneamente símbolo cultural e espécie vulnerável.

Em termos evolutivos, a semente nua e a independência da água para a fecundação permitiram a conquista definitiva do ambiente terrestre, e é esse conjunto de vantagens — semente, polinização pelo vento, eficiência hídrica — que explica o sucesso das coníferas em regiões frias e secas.