Ciclo do fósforo
Diferente dos demais ciclos, não tem fase gasosa significativa: o fósforo circula essencialmente entre rochas, solo, água e seres vivos, na forma de fosfato ($\mathrm{PO_4^{3-}}$). A intemperização de rochas fosfatadas libera fosfato ao solo, absorvido pelas plantas e transferido pela cadeia alimentar.
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O ciclo do fósforo é um ciclo sedimentar, e essa natureza é a chave para entender por que ele é tão distinto dos ciclos do carbono e do nitrogênio: enquanto esses têm reservatórios atmosféricos que renovam seus estoques rapidamente, o fósforo fica retido na litosfera por milhões de anos, sendo liberado para a biosfera apenas pela intemperização de rochas sedimentares de origem marinha, como as que contêm apatita, ou pelo vulcanismo. Esse fósforo inorgânico, na forma de fosfato, é absorvido pelos vegetais e incorporado a moléculas essenciais como ATP, ácidos nucleicos e fosfolipídios de membrana, passando adiante pela cadeia alimentar.
A decomposição de excretas e cadáveres devolve fosfato ao solo, mas, quando esse fosfato é carreado pela chuva até rios, lagos e finalmente o oceano, ele se acumula em sedimentos marinhos, onde pode permanecer por eras geológicas antes de retornar à terra por soerguimento geológico — o que torna o ciclo lentíssimo se comparado à rapidez com que o guano de aves marinhas e as rochas fosfatadas são explorados comercialmente pela indústria de fertilizantes.
O fósforo como fator limitante
Por ser pouco solúvel e sem reposição atmosférica, o fósforo é frequentemente o fator limitante da produtividade em ecossistemas aquáticos e terrestres — daí sua presença nos fertilizantes (o "P" do NPK). O excesso de fósforo de esgoto e fertilizantes é a principal causa da eutrofização de lagos e represas.
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Dizer que o fósforo é fator limitante significa que sua escassez controla o teto da produtividade primária: mesmo com luz, água e nitrogênio de sobra, a fotossíntese e o crescimento das plantas ficam travados pela disponibilidade de fosfato (PO₄³⁻). Isso decorre de sua dinâmica peculiar — ele não possui fase gasosa relevante, recicla-se apenas na litosfera e chega aos ecossistemas pela lenta intemperização de rochas ricas em apatita, um aporte que não acompanha o ritmo do consumo biológico. Nos ambientes aquáticos há ainda um agravante: em pH alcalino ou na presença de cálcio, o fosfato precipita como fosfato de cálcio, e em águas oxigenadas liga-se fortemente a óxidos de ferro e alumínio no sedimento, formando complexos pouco solúveis que o imobilizam e o retiram da coluna d'água, tornando-o ainda mais escasso para o fitoplâncton.
Em ambientes terrestres, a maior parte do fósforo está em formas orgânicas no húmus, liberadas só pela decomposição, o que explica solos tropicais pobres nesse nutriente. O experimento clássico de David Schindler nos lagos canadenses (ELA) evidenciou tudo isso: ao adicionar fósforo a um lago dividido, a metade tratada sofreu floração de algas, enquanto a outra permaneceu oligotrófica — provando sua ação limitante e o papel na eutrofização. Isso fundamenta o "P" do NPK nos fertilizantes e explica por que o controle de fósforo em esgotos é central no combate à eutrofização.