F2 · Aula 37

Plantas

Características gerais

Eucariontes, pluricelulares, autótrofos fotossintetizantes, com parede celular de celulose, cloroplastos e reserva de amido. São imóveis e apresentam alternância de gerações — ciclo diplobionte, com gametófito haploide e esporófito diploide.

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Essas características todas se encaixam num plano corporal que resolveu, ao longo da evolução, o problema de viver fora da água: como as plantas terrestres descendem de algas verdes, herdaram a fotossíntese, mas precisaram criar estruturas para não dessecar, e é justamente essa transição que explica por que a alternância de gerações é tão central no grupo — no fundo, é uma forma de proteger a fase sexuada dentro de um ambiente úmido controlado.

Novidades evolutivas

Sequência de conquistas do ambiente terrestre: cutícula e estômatos, contra a dessecação; vasos condutores (xilema e floema), que permitiram maior porte; semente, que protege o embrião e dispensa a água para a fecundação; e flor e fruto, que otimizam polinização e dispersão.

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As novidades evolutivas das plantas devem ser lidas como uma sequência de adaptações que resolvem, uma a uma, os problemas impostos pela vida fora da água. Após a cutícula e os estômatos conterem a perda d'água, o próximo gargalo foi o transporte interno: sem um sistema de condução eficiente, a planta fica limitada a pequeno porte e ambientes úmidos. Os vasos condutores resolvem isso ao conectar raiz, caule e folha, permitindo que a planta cresça em altura e explore melhor a luz — é o que separa as pteridófitas das briófitas.

Classificação

Divide-se por dois critérios sucessivos: presença de vasos condutores — avasculares (briófitas) e vasculares (traqueófitas) — e presença de semente — sem semente (pteridófitas) e com semente (espermatófitas), estas com ou sem fruto.

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A classificação das plantas se baseia em um encadeamento de inovações evolutivas que marcaram a conquista do ambiente terrestre, sendo os critérios sucessivos uma forma de reconstruir a filogenia desse grupo. A presença de vasos condutores (xilema e floema) representa a aquisição de um sistema de transporte que resolve o problema do porte e da distância entre a captação de água e a fotossíntese, permitindo às traqueófitas atingir grande tamanho, enquanto as briófitas, avasculares, permanecem pequenas e dependentes da água para a reprodução. Já o surgimento da semente significa a independência da água para a fecundação e a proteção do embrião, com reserva nutritiva, o que deu às espermatófitas enorme vantagem em ambientes secos.

A presença de fruto é uma inovação exclusiva das angiospermas, associada à dispersão por animais e à grande diversificação do grupo.

Principais grupos

Briófitas: sem vasos, sem semente, sem fruto. Pteridófitas: com vasos, sem semente. Gimnospermas: com semente nua, sem fruto. Angiospermas: com flor, semente protegida no fruto — o grupo mais numeroso e diversificado.

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A chave para entender essa classificação é a conquista progressiva do ambiente terrestre, que depende de três inovações: vasos condutores, semente e flor/fruto. As briófitas, presas à água para a fecundação, ainda dependem da umidade porque seus gametas masculinos flagelados precisam nadar até a oosfera; por isso vivem em locais sombreados e úmidos, como musgos sobre muros. As pteridófitas resolvem o transporte interno com xilema e floema, permitindo maior porte — samambaias, avencas e selaginelas —, mas a fecundação continua dependendo da água, o que as mantém restritas a ambientes úmidos. A grande virada é a semente: nas gimnospermas (pinheiros, araucárias, cicas) surge o tubo polínico, que transporta o gameta masculino até a oosfera sem necessidade de água livre, e o embrião é protegido por um tegumento e nutrido pelo endosperma, permitindo conquistar locais secos e frios.

Nas angiospermas, a flor atrai polinizadores e o fruto protege e dispersa as sementes pelo vento, água e animais, explicando por que dominam quase todos os ecossistemas atuais. Exemplo concreto: compare o pinheiro-do-paraná, gimnosperma cujas sementes (pinhões) ficam expostas em estróbilos, com uma mangueira, angiosperma cuja semente está dentro do fruto.