Citoesqueleto
Rede de filamentos proteicos que dá forma e sustentação à célula, ancora organelas, permite o transporte interno e possibilita movimento e divisão celular. Compõe-se de três tipos de filamentos, de espessuras e funções distintas.
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O citoesqueleto é uma estrutura dinâmica, ou seja, monta-se e desmonta-se conforme a necessidade da célula, e essa plasticidade é justamente o que o torna tão versátil. Seus três componentes principais são os microfilamentos de actina, os mais finos, responsáveis por movimentos celulares como a contração muscular e a formação de pseudópodes em amebas; os filamentos intermediários, como a queratina, que conferem resistência mecânica e evitam que a célula se rompa sob tensão; e os microtúbulos, formados por tubulina, que atuam como verdadeiros trilhos pelos quais proteínas motoras, como a cinesina e a dineína, transportam vesículas e organelas.
Microtúbulos
Os mais espessos, formados por tubulina. Constituem o fuso mitótico, os centríolos e o eixo de cílios e flagelos, no arranjo 9+2. Servem de trilhos para o transporte de vesículas dentro da célula.
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Os microtúbulos são estruturas dinâmicas e polarizadas: cada subunidade de tubulina é um dímero formado por uma molécula de alfa-tubulina e outra de beta-tubulina, e esses dímeros se empilham em fileiras chamadas protofilamentos (geralmente 13), que se organizam em cilindro oco. Essa arquitetura cria extremidades diferentes: a extremidade "mais" (beta exposta) cresce mais rápido, e a "menos" (alfa exposta) cresce devagar ou se despolimeriza — daí a instabilidade dinâmica, com ciclos de alongamento e encurtamento que permitem à célula montar e desmontar o citoesqueleto rapidamente. A nucleação ocorre nos centrossomos, ricos em tubulina gama, que funcionam como centros organizadores.
Por isso, mais do que decorar a composição, vale entender que os microtúbulos são um sistema polarizado e regulável, cuja dinâmica sustenta desde o movimento intracelular até a própria divisão celular, o que explica por que são alvo tão frequente de questões que integram estrutura, função e aplicação clínica.
Microfilamentos
Os mais finos, formados por actina. Responsáveis pela contração muscular, junto à miosina, pelos movimentos ameboides, pela citocinese — o anel contrátil que estrangula a célula — e pela sustentação das microvilosidades.
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Os microfilamentos são polímeros helicoidais de actina que se organizam em duas cadeias entrelaçadas, com polaridade bem definida: a extremidade "+" cresce mais rápido que a "−". Essa polaridade é a chave da dinâmica de treadmilling, em que a actina polimeriza numa ponta e despolimeriza na outra, permitindo que a célula reorganize seu citoesqueleto em segundos. Essa montagem é regulada por proteínas como a profilina (estimula polimerização) e a cofilina (despolimeriza), além do ATP ligado à actina, cuja hidrólise controla a estabilidade do filamento. Na contração muscular, a miosina II "caminha" sobre os microfilamentos, encurtando os sarcômeros; já nos movimentos ameboides, a polimerização empurra a membrana formando pseudópodes, enquanto a miosina contrai a parte traseira.
Filamentos intermediários
De espessura intermediária e composição variável, como a queratina nas células epiteliais. Função essencialmente mecânica: resistem à tensão, ancoram o núcleo e reforçam junções celulares — são os mais estáveis dos três.
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Os filamentos intermediários formam uma rede de resistência que atravessa o citoplasma e se conecta ao núcleo, sendo responsáveis por aquilo que se chama de integridade mecânica celular — diferente dos microtúbulos e microfilamentos, que são dinâmicos e participam de transporte e movimento, os filamentos intermediários são estruturas estáveis e permanentes, montadas a partir de subunidades proteicas que se associam em cordas antiparalelas, sem polaridade e sem sítios de ligação a nucleotídeos, o que explica por que não sofrem turnover rápido como os outros dois. Essa característica é essencial em tecidos submetidos a estresse mecânico constante, como a pele.