Parede celular
Envoltório rígido externo à membrana, ausente nas células animais. Composição variável: celulose nas plantas e algas, quitina nos fungos, peptideoglicano nas bactérias. Dá sustentação, define a forma e impede a lise da célula em meio hipotônico.
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A parede celular não é apenas uma "capa protetora" passiva: trata-se de uma estrutura dinâmica, secretada pela própria célula e organizada em camadas que se remodelam ao longo da vida do organismo. Nas plantas, ela se organiza em lamela média (rica em pectinas, que "cola" células vizinhas), parede primária (fibras de celulose entrelaçadas em matriz de hemicelulose e pectina, flexível para permitir crescimento) e, em tecidos já maduros, parede secundária (celulose mais densa, reforçada por lignina), que confere rigidez e resistência à tração — é o que sustenta uma árvore de vários metros contra a gravidade. A lignina atua como reforço hidrofóbico da matriz, reduzindo a permeabilidade e dificultando a passagem de água e solutos pela parede, mas não a torna totalmente impermeável: a via apoplástica de transporte de água e sais continua funcionando nos espaços entre as microfibrilas e pelas pontoações, o que permite a ascensão da seiva bruta mesmo em vasos lignificados.
Nas bactérias, a parede de peptideoglicano forma uma rede de açúcares cruzados por cadeias peptídicas; a coloração de Gram separa as bactérias conforme a espessura dessa camada e a presença de membrana externa: as Gram-positivas têm peptideoglicano espesso e retêm o cristal violeta, enquanto as Gram-negativas têm camada fina, membrana externa com lipopolissacarídeos e não retêm o corante, o que explica diferenças de sensibilidade a antibióticos como a penicilina, que bloqueia a síntese de peptideoglicano. Nos fungos, a quitina desempenha papel análogo, o que é curioso porque é o mesmo polissacarídeo do exoesqueleto de artrópodes.