F1 · Aulas 37–40

Introdução à Genética

Introdução

A Genética estuda a hereditariedade e a variabilidade. Nasce com Gregor Mendel, monge que cruzou ervilhas (Pisum sativum) entre 1856 e 1865 — planta de fácil cultivo, ciclo curto, autofecundação e características bem contrastantes. Seu trabalho só foi reconhecido em 1900.

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Para ir além do episódio histórico, entenda que a Genética se organiza em níveis que se conectam: no molecular, o DNA guarda a informação em sequências de bases; no celular, esse DNA se empacota em cromossomos, e a meiose separa os cromossomos homólogos e, por meio do crossing-over, embaralha trechos entre eles; no organismo, diferentes versões de um mesmo gene — os alelos — interagem e definem o fenótipo; e no populacional, essas combinações se redistribuem a cada geração, gerando a variabilidade sobre a qual a seleção natural atua.

Vale distinguir três conceitos que as provas adoram misturar: genótipo (constituição alélica), fenótipo (característica manifestada) e heredograma (representação das heranças em uma família).

Na Fuvest, na Unicamp e no Enem, a cobrança costuma vir como interpretação de heredogramas, cálculo de probabilidades (regra do "e" multiplica, do "ou" soma), distinção entre mitose e meiose, conceitos de dominância, codominância e herança ligada ao sexo, além de análise de experimentos mendelianos e de situações-problema com grupos sanguíneos e doenças genéticas; por isso, treine montar o genótipo dos indivíduos a partir das informações dadas, use o quadro de Punnett para prever proporções e sempre confira se o cruzamento proposto é compatível com os fenótipos observados na genealogia, pois é justamente nesse encadeamento lógico entre alelos, meiose e probabilidade que a maioria dos erros e das questões difíceis se concentra.

Conceitos básicos em Genética

Gene: trecho de DNA que codifica uma característica. Alelos: formas alternativas do mesmo gene. Homozigoto e heterozigoto. Dominante: alelo que se expressa em dose simples; recessivo: só se manifesta em dose dupla.

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Aprofundando o tema, é essencial compreender que o genótipo corresponde à constituição genética do indivíduo, ou seja, a combinação específica de alelos que ele carrega para determinado gene, enquanto o fenótipo é a manifestação observável dessa constituição, resultante da interação entre o genótipo e o ambiente; assim, dois indivíduos podem ter o mesmo fenótipo e genótipos diferentes, como ocorre entre um homozigoto dominante e um heterozigoto, ambos expressando a mesma característica, mas transmitindo alelos distintos à descendência — diferença crucial para prever proporções em cruzamentos.

Dessa forma, dominar esses conceitos básicos é pré-requisito para resolver questões que envolvem as leis de Mendel, pois elas nada mais são do que a aplicação direta da segregação dos alelos e da combinação independente durante a formação dos gametas.

Cromossomos

Estruturas de DNA associado a histonas, visíveis na divisão celular. Na espécie humana são 46, ou 23 pares. Cada cromossomo carrega centenas de genes em posições fixas, os loci. É seu comportamento na meiose que explica as leis de Mendel.

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O cromossomo não é apenas um pacote de genes: é uma estrutura dinâmica cujo grau de condensação varia ao longo do ciclo celular, indo da forma frouxa da interfase, a cromatina, até a forma compacta e visível ao microscópio óptico na metáfase, quando cada unidade já se apresenta duplicada em duas cromátides-irmãs unidas pelo centrômero. A cromatina ainda se subdivide em eucromatina, menos condensada e transcricionalmente ativa, e heterocromatina, mais compacta e silenciada, o que explica por que nem todo gene presente é expresso em todas as células. Quanto à posição do centrômero, os cromossomos classificam-se em metacêntricos, submetacêntricos, acrocêntricos e telocêntricos, e essa morfologia é decisiva para a segregação correta na divisão.

Nos humanos, os 46 cromossomos distribuem-se em 44 autossomos, formando 22 pares homólogos, mais um par sexual: XX na mulher e XY no homem, sendo o cromossomo Y portador do gene SRY, que dispara a determinação testicular. Como exemplo concreto, considere a trissomia do 21: a não disjunção na meiose materna gera um gameta com 24 cromossomos que, fecundado por um gameta normal, produz um zigoto com 47, causando a síndrome de Down — prova de que o número e a segregação corretos são essenciais.

Cromossomos homólogos

Pares de cromossomos com o mesmo tamanho, forma e sequência de loci, um de origem materna e outro paterna. Carregam genes para as mesmas características, mas não necessariamente os mesmos alelos. Pareiam-se na prófase I da meiose.

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Os cromossomos homólogos são a base física da segregação e da recombinação genética, e entendê-los é essencial para não confundir conceitos vizinhos. Cada par homólogo apresenta os mesmos genes na mesma ordem ao longo da molécula de DNA, mas pode portar versões diferentes desses genes, os alelos; por isso, um indivíduo pode ser homozigoto (alelos iguais) ou heterozigoto (alelos diferentes) para cada locus. Durante a prófase I da meiose, esses pares se alinham e podem trocar segmentos equivalentes por crossing-over, gerando novas combinações alélicas que aumentam a variabilidade genética da descendência. A segregação independente, descrita por Mendel, só é possível porque homólogos de pares distintos se distribuem de forma aleatória na anáfase I.

Vale destacar a diferença entre homólogos e cromátides-irmãs: as segundas são cópias idênticas unidas pelo centrômero, resultantes da replicação do DNA, e não carregam necessariamente alelos distintos.

Cromossomos autossômicos

Os 22 pares não relacionados à determinação do sexo, iguais em homens e mulheres. As características que carregam constituem a herança autossômica, cujo padrão de transmissão independe do sexo do indivíduo.

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Os cromossomos autossômicos formam, portanto, o conjunto de cromossomos homólogos presentes em dose dupla tanto em homens quanto em mulheres, sendo numerados de 1 a 22 conforme seu tamanho e características citogenéticas, com o par 1 sendo o maior e o 22 o menor entre eles; cada par é composto por um cromossomo de origem materna e outro de origem paterna, que carregam os mesmos loci gênicos, embora possam apresentar alelos diferentes para uma mesma característica, o que fundamenta os princípios mendelianos de segregação e segregação independente. É justamente nesses pares que se localizam genes responsáveis por características como grupo sanguíneo ABO, fator Rh, cor dos olhos, tipo de lobo da orelha, fenilcetonúria e fibrose cística, entre tantas outras, de modo que a transmissão desses genes segue as proporções previstas por Mendel independentemente de o portador ser homem ou mulher, diferentemente do que ocorre com genes ligados ao cromossomo X, cuja expressão pode variar entre os sexos.

Para resolver essas questões com segurança, é essencial dominar a distinção entre genótipo e fenótipo, o uso de letras maiúsculas e minúsculas para representar alelos dominantes e recessivos, a construção e interpretação de heredogramas e o cálculo de probabilidades em cruzamentos, habilidades que, juntas, permitem ao candidato aplicar corretamente o conceito de cromossomo autossômico e resolver com tranquilidade as questões que envolvem herança autossômica nas principais provas do país.

Cromossomos sexuais

O 23º par na espécie humana: XX na mulher e XY no homem. O cromossomo Y é bem menor e carrega o gene SRY, determinante do sexo masculino. Genes situados no X seguem a herança ligada ao sexo, com padrão característico.

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Além do par sexual, os autossomos (22 pares) são iguais nos dois sexos, o que torna o par sexual um caso especial de herança. Nos mamíferos, o sistema é do tipo XY: a fêmea é o sexo homogamético (produz só óvulos com X) e o macho é o heterogamético (espermatozoides com X ou com Y), de modo que o sexo do bebê é determinado pelo gameta paterno — argumento clássico contra a ideia de que a mãe "escolhe" o sexo.

Vale distinguir isso de outros sistemas, como o ZW das aves (fêmea heterogamética) e o XO de alguns insetos, muito usados em questões de comparação. Como o X é grande e possui muitos genes não ligados ao sexo (como os da hemofilia A e do daltonismo), o macho, sendo hemizigótico, manifesta a doença mesmo com um único alelo recessivo — por isso esses distúrbios são mais comuns em homens. Exemplo concreto: uma mulher portadora X^H X^h tem 50% de chance de transmitir o X^h; se o pai for normal (X^H Y), as filhas serão normais (metade portadoras) e os filhos terão 50% de chance de nascer hemofílicos.

Genótipo

Constituição genética do indivíduo para determinada característica, representada por letras — AA, Aa, aa. Não é diretamente observável: infere-se por cruzamentos, análise de heredogramas ou exames moleculares. É o que se transmite aos descendentes.

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O genótipo deve ser entendido como a informação hereditária que cada organismo carrega em suas células, mais precisamente na sequência de bases do DNA, e que, em conjunto com o ambiente, condiciona o fenótipo — a característica manifestada. Quando falamos em genótipo para uma característica específica, estamos nos referindo ao conjunto de alelos que o indivíduo possui para aquele gene, podendo ser homozigoto dominante (AA), heterozigoto (Aa) ou homozigoto recessivo (aa). É fundamental distinguir genótipo de fenótipo: dois indivíduos com o mesmo fenótipo podem ter genótipos diferentes, como ocorre em alguém de grupo sanguíneo A que pode ser IAIA ou IAi.

Como exemplo concreto, considere a cor das flores em Mirabilis jalapa, em que o cruzamento entre plantas de flores vermelhas (VV) e brancas (BB) gera descendentes heterozigotos (VB) com flores rosas, evidenciando que o genótipo heterozigoto não reproduz exatamente nenhum dos fenótipos parentais, mas um intermediário. Já na anemia falciforme, o heterozigoto (HbAHbS) apresenta ambos os tipos de hemoglobina, configurando um caso clássico de codominância, e não de dominância incompleta — distinção que as bancas costumam explorar.

Fenótipo

Conjunto de características observáveis — morfológicas, fisiológicas e comportamentais. Resulta da interação entre genótipo e ambiente: $\text{fenótipo} = \text{genótipo} + \text{ambiente}$. Indivíduos de mesmo genótipo podem ter fenótipos distintos, como em gêmeos criados separadamente.

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Para além da definição, vale entender o fenótipo como o resultado de um processo, e não como um simples "produto acabado" do gene: o genótipo estabelece um intervalo de possibilidades (a chamada norma de reação), e o ambiente define em que ponto desse intervalo o indivíduo se situa. Daí a expressão consagrada de que o genótipo "determina" o fenótipo apenas dentro de certos limites — é por isso que falamos em plasticidade fenotípica, a capacidade de um mesmo genótipo produzir fenótipos diferentes conforme as condições ambientais.

Outro caso interessante é o das abelhas: larvas geneticamente idênticas se tornam rainhas ou operárias dependendo exclusivamente da alimentação recebida (geleia real em maior quantidade e por mais tempo versus mel e pólen), o que mostra que até características comportamentais e morfológicas profundas podem ser definidas pelo ambiente. Cabe ainda distinguir três situações que as bancas adoram confundir: fenótipos iguais com genótipos iguais (o caso trivial), fenótipos diferentes com o mesmo genótipo (plasticidade fenotípica, como nos exemplos acima) e fenótipos semelhantes com genótipos diferentes — esta última, chamada homoplasia, é o que ocorre quando linhagens distintas chegam à mesma solução fenotípica, e não convergência, que é um conceito da evolução em escala macro e não da genética do indivíduo.

Noções de probabilidade

Ferramenta essencial da genética. A probabilidade de um evento é $P=\frac{\text{casos favoráveis}}{\text{casos possíveis}}$, e cada fecundação é um evento independente — ter tido três filhos homens não altera a chance do quarto, que permanece $\frac{1}{2}$.

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A ideia central é que a probabilidade mede o quanto esperamos que um evento ocorra quando o resultado é incerto, e em genética ela é aplicada sobretudo quando queremos prever a chance de um casal gerar descendentes com determinada característica. O ponto que mais confunde é a diferença entre eventos independentes e eventos mutuamente exclusivos: na fecundação, cada gameta formado é um sorteio independente, então a probabilidade de vários filhos apresentarem certa característica é obtida multiplicando-se as probabilidades individuais — a chamada regra do “e” (produto). Já quando queremos saber a chance de ocorrer um resultado ou outro, usamos a regra do “ou” (soma), válida para eventos mutuamente exclusivos.

Considere, por exemplo, um casal em que ambos são heterozigotos para o albinismo (Aa × Aa): a chance de nascer uma criança albina é 1/4. Se esse casal tiver três filhos, a probabilidade de todos serem albinos é (1/4) × (1/4) × (1/4) = 1/64, enquanto a chance de pelo menos um ser albino é 1 − (3/4)³ = 1 − 27/64 = 37/64, raciocínio típico de questões que pedem o “pelo menos um” e exigem usar o evento complementar.

Dominar essas regras, portanto, é o que transforma a análise genética em um cálculo preciso e não em mera intuição.

Eventos independentes

A ocorrência de um não afeta a do outro. Aplica-se a regra do "e": multiplicam-se as probabilidades. A chance de dois filhos serem meninos é $\frac{1}{2}\times\frac{1}{2}=\frac{1}{4}$. É o cálculo usado para cruzamentos com duas ou mais características.

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Quando dizemos que dois eventos são independentes em Genética, queremos dizer que o resultado de um não fornece nenhuma informação sobre o outro, ou seja, a probabilidade de ambos ocorrerem é o produto das probabilidades individuais. Isso acontece porque cada evento tem seu próprio espaço amostral e não há "memória" entre eles.

Dominar esse conceito é fundamental para resolver problemas de heredogramas e de probabilidade genética em geral.

Eventos mutuamente exclusivos

A ocorrência de um exclui a do outro. Aplica-se a regra do "ou": somam-se as probabilidades. A chance de nascer um menino ou uma menina é $\frac{1}{2}+\frac{1}{2}=1$. Em problemas com "pelo menos", costuma ser mais rápido calcular o complementar.

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Na genética, dois eventos são mutuamente exclusivos quando a ocorrência de um impede completamente a do outro — eles nunca acontecem juntos numa mesma tentativa. Isso não significa apenas que sejam diferentes: um casal só pode gerar, em um mesmo nascimento, um indivíduo de um sexo, nunca ambos; um gameta carrega apenas um dos dois alelos de um gene, jamais os dois ao mesmo tempo. Perceba que, quando os eventos se excluem, a probabilidade de um ou outro é simplesmente a soma das probabilidades individuais, pois não há interseção a descontar — mas essa soma só vale para eventos que se excluem mutuamente, e é aí que muitos alunos erram ao aplicá-la a casos independentes que podem ocorrer simultaneamente.

Dominar essa distinção entre eventos exclusivos, independentes e complementares é essencial, porque a banca frequentemente mistura os dois tipos num mesmo enunciado para testar se o candidato sabe quando somar e quando multiplicar, o que exige leitura atenta e interpretação cuidadosa de cada condição apresentada.

Primeira lei de Mendel e a herança monogênica

Lei da segregação: cada característica é determinada por um par de fatores que se separam na formação dos gametas, de modo que cada gameta recebe apenas um deles. A base física é a separação dos homólogos na anáfase I da meiose.

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Mendel chegou à sua primeira lei sem conhecer cromossomos, meiose ou DNA: seu mérito foi tratar a herança como problema matemático, cruzando linhagens puras de ervilha e contando milhares de descendentes. Ao cruzar plantas de semente amarela com plantas de semente verde, toda a geração F1 saiu amarela; deixando a F1 se autofecundar, a geração F2 voltou a mostrar verdes, sempre na proporção de três amarelas para cada verde. A explicação está na existência de alelos — versões alternativas de um mesmo gene, situadas no mesmo lócus de cromossomos homólogos. O indivíduo de F1 é heterozigoto (Aa): o alelo amarelo é dominante e manifesta o fenótipo mesmo na presença do verde, que é recessivo e só aparece em homozigose (aa).

Como os gametas de F1 carregam A ou a com igual probabilidade, o quadro de Punnett prevê 1 AA : 2 Aa : 1 aa, ou seja, 3 amarelos para 1 verde — exatamente a proporção observada. Daí a distinção central entre genótipo (constituição alélica) e fenótipo (característica manifestada, resultado da interação do genótipo com o ambiente): AA e Aa têm fenótipos iguais, mas genótipos diferentes. Quando um caráter é regido por um único par de alelos — herança monogênica —, esse é o padrão esperado.

Etapas do trabalho de Mendel

Partiu de linhagens puras; cruzou-as obtendo a F1 toda igual a um dos parentais; autofecundou a F1 e obteve a F2 na proporção 3:1. Concluiu pela existência de fatores dominantes e recessivos. Seu grande diferencial foi a análise quantitativa dos resultados.

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O mérito central de Mendel não foi descobrir que características passam de pais para filhos — isso já se sabia —, mas tratar a herança como um problema quantitativo e propor um modelo particulado: cada caráter é determinado por um par de fatores que se separam na formação dos gametas, de modo que cada gameta carrega apenas um fator de cada par. A partir daí nasce a herança monogênica, em que um único par de genes controla a característica, com relação de dominância entre os alelos. O exemplo clássico é a cor da semente da ervilha: o genótipo VV ou Vv produz semente amarela (o V domina) e apenas vv produz verde. Cruzando duas linhagens puras, VV × vv, todos os descendentes da F1 são Vv e, portanto, amarelos; ao autofecundar a F1, cada parental Vv forma gametas V e v em igual proporção, e o quadro de Punnett gera VV : Vv : vv na proporção 1:2:1 genotípica, o que se traduz na famosa 3:1 fenotípica — três amarelas para uma verde.

Esse resultado só é possível porque a segregação dos alelos ocorre na anábase I da meiose, quando os cromossomos homólogos se separam, o que reconecta o trabalho de Mendel à base celular descoberta décadas depois.

Dominar o quadro de Punnett e a distinção entre genótipo e fenótipo resolve a maior parte das questões.

Análise dos genótipos

No cruzamento $\mathrm{Aa}\times\mathrm{Aa}$, o quadro de Punnett dá a proporção genotípica 1 AA : 2 Aa : 1 aa e a fenotípica 3:1. Em dominância incompleta, a proporção fenotípica passa a ser 1:2:1, igual à genotípica.

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A análise dos genótipos vai além de contar proporções: ela permite prever quais combinações alélicas surgem em cada cruzamento e como elas se traduzem em fenótipos, desde que se conheça o regime de dominância envolvido.

O ponto central é que o genótipo é a constituição alélica do indivíduo, enquanto o fenótipo é a manifestação observável — e a relação entre ambos depende de o alelo recessivo conseguir ou não se expressar na presença do dominante. Em dominância completa, o heterozigoto Aa é fenotipicamente idêntico ao homozigoto AA, o que "esconde" a variabilidade genética e faz a proporção fenotípica 3:1 divergir da genotípica 1:2:1. Já na dominância incompleta, o heterozigoto exibe fenótipo intermediário, de modo que cada genótipo tem fenótipo próprio e as duas proporções coincidem em 1:2:1.

Outro caso didático é o sistema ABO, em que IA e IB são codominantes: o genótipo IAIB expressa simultaneamente os fenótipos A e B, mostrando que a análise genotípica precisa considerar alelos múltiplos e relações de dominância específicas.

Análise de heredogramas

Genealogias que representam a herança na família: quadrado para homem, círculo para mulher, símbolo preenchido para o afetado, gerações em algarismos romanos. Regra de ouro: pais normais com filho afetado indicam característica recessiva, e os pais são heterozigotos.

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A análise de heredogramas vai muito além de identificar símbolos: trata-se de reconstruir o genótipo dos indivíduos a partir dos fenótipos observados ao longo das gerações, raciocinando de trás para frente. O ponto de partida é sempre perguntar se a característica pode ser dominante ou recessiva e se o gene está em autossomo ou nos cromossomos sexuais. Algumas pistas orientam esse diagnóstico: se um casal afetado tem filho normal, a característica só pode ser dominante (pois, se fosse recessiva, ambos seriam aa e todos os filhos seriam afetados); se pais normais têm filho afetado, é recessiva, como já dito. Já para localizar o gene no cromossomo X, observa-se que a herança ligada ao X recessiva atinge muito mais homens, pois eles têm apenas um X e basta uma cópia do alelo mutante; além disso, pai afetado nunca transmite a doença para o filho homem (ele passa o Y), mas transmite o X mutante a todas as filhas, que ficam portadoras se a mãe for normal.

Cruzamento-teste

Cruzamento do indivíduo de fenótipo dominante e genótipo desconhecido com um homozigoto recessivo. Se toda a descendência for dominante, ele é homozigoto; se surgir descendente recessivo, é heterozigoto. O retrocruzamento é feito com um dos parentais.

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O cruzamento-teste é a ferramenta lógica que permite "enxergar" o genótipo oculto por trás de um fenótipo dominante, e sua elegância está em inverter o raciocínio probabilístico: em vez de prever a descendência a partir dos pais, usamos a descendência para deduzir o pai. Isso funciona porque o homozigoto recessivo só transmite alelos recessivos, tornando-se uma espécie de "papel em branco" genético que revela, sem disfarces, o que o outro parental carrega.

Outra pegadinha frequente é o cruzamento-teste em herança ligada ao sexo, no qual se usa o macho recessivo (hemizigoto) para revelar o genótipo da fêmea. Por fim, o tema costuma aparecer combinado com probabilidades condicionais e com análise de heredogramas, exigindo que você conecte o cruzamento-teste à identificação de portadores e ao cálculo de risco genético.

Gemelaridade

Gêmeos podem originar-se de um único zigoto ou de dois zigotos distintos — diferença que os torna o modelo clássico para estudar a influência relativa de genética e ambiente sobre o fenótipo, sobretudo em características de herança complexa.

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Os gêmeos monozigóticos (MZ), ou univitelinos, surgem quando um único zigoto, após a fecundação, divide-se em dois embriões geneticamente idênticos — na prática, cópias clonais um do outro; já os dizigóticos (DZ), ou bivitelinos, resultam da fecundação simultânea de dois óvulos distintos por dois espermatozoides, sendo, portanto, irmãos que apenas compartilham a mesma gestação. Essa diferença fundamental é o que sustenta o método dos gêmeos: se MZ compartilham integralmente o genótipo e DZ compartilham, em média, 50% dos alelos (como quaisquer irmãos), então qualquer característica que apresente concordância (ou seja, ambos os membros do par exibem o mesmo fenótipo) significativamente maior entre MZ do que entre DZ tem forte componente genético.

Por isso, dizer que a esquizofrenia tem herdabilidade de 80% não significa que 80% do risco de um indivíduo é genético, mas sim que, naquela população estudada, 80% da variação nos fenótipos se explica por diferenças genéticas.

Em resumo, o estudo de gêmeos é uma ferramenta poderosa para separar o que é genético do que é ambiental, mas exige do vestibulando rigor conceitual: a concordância cai de monozigóticos para dizigóticos quando o caráter tem base genética, e a interpretação correta desse padrão — sem confundir herdabilidade com hereditariedade — é exatamente o que as bancas esperam ver.

Gêmeos monozigóticos ou univitelinos

Originam-se de um zigoto que se divide, gerando indivíduos com genótipo idêntico e, necessariamente, do mesmo sexo. Diferenças entre eles decorrem do ambiente e de alterações epigenéticas. São verdadeiros clones naturais.

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Os gêmeos monozigóticos formam-se quando a massa celular resultante da primeira clivagem do zigoto se separa em dois (ou mais) blocos embrionários independentes, cada qual originando um indivíduo completo. Como essa separação ocorre após a fecundação, ambos herdam o mesmo conjunto gênico nuclear, mas as membranas extraembrionárias — âmnio, cório e placenta — podem ser compartilhadas ou não, dependendo do momento em que a divisão acontece: se ela ocorre até o terceiro dia, na fase de mórula, cada embrião tende a desenvolver seu próprio âmnio e sua própria placenta; se ocorre entre o quarto e o oitavo dia, no blastocisto, os embriões costumam dividir a mesma placenta, porem com âmnios separados; se ocorre após o nono dia, quando o âmnio já se formou, os gêmeos ficam no mesmo saco amniótico, situação rara e de maior risco obstétrico.

Gêmeos dizigóticos, bivitelinos ou fraternos

Originam-se de dois ovócitos fecundados por espermatozoides diferentes. Do ponto de vista genético, são como irmãos comuns, compartilhando em média 50% dos genes, e podem ser de sexos diferentes. Sua frequência aumenta com a idade materna e com tratamentos de fertilidade.

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Do ponto de vista embriológico, o que define a gemelaridade dizigótica é a liberação de dois ovócitos no mesmo ciclo, fenômeno chamado de ovulação múltipla, geralmente associado a picos elevados de FSH (hormônio folículo-estimulante); cada ovócito é fecundado por um espermatozoide distinto, formando dois zigotos que se implantam separadamente e desenvolvem placentas e bolsas amnióticas próprias, embora às vezes as placentas se fundam, o que não muda a origem genética.